O senador Renan Calheiros (MDB-AL) afirmou que o Senado vai aprofundar as investigações sobre falhas na fiscalização do mercado financeiro, com foco na atuação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), no contexto do caso Master. O banco foi liquidado no fim do ano passado após a identificação de prejuízos relevantes a investidores e indícios de irregularidades envolvendo fundos de investimento.
Na condição de presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), Renan anunciou a criação de um grupo de trabalho específico para acompanhar o tema e apurar responsabilidades. Segundo o senador, embora o Banco Central tenha adotado medidas, como a liquidação de instituições envolvidas, as respostas foram tardias e insuficientes para evitar danos maiores.
Renan foi enfático ao atribuir à CVM a responsabilidade legal pela supervisão dos fundos de investimento. Para ele, houve falha grave ao permitir a precificação irreal de ativos, o que teria criado uma “bolha de ilusão” no mercado. “É preciso dizer com todas as letras que a CVM é a responsável pela fiscalização desses fundos. O que precisa ser explicado é como ativos puderam ser inflados sem que o regulador emitisse um único sinal de alerta”, afirmou, em vídeo divulgado nas redes sociais.
O senador também levantou questionamentos sobre a cadeia de responsabilidades, defendendo a apuração de quem operou, quem autorizou e quem se omitiu diante das irregularidades. Na avaliação de Renan, o episódio expõe fragilidades estruturais na supervisão de um universo que envolve cerca de 40 mil fundos de investimento no país.
Além do impacto financeiro, Renan alertou para o risco de o mercado ser utilizado para práticas ilícitas. “O Senado não pode se calar diante de um ambiente que, sob a fachada de investimentos sofisticados, pode servir à lavagem de dinheiro do crime organizado”, declarou.
O presidente da CAE defendeu que eventuais mudanças regulatórias só ocorram após a responsabilização de quem descumpriu as regras já existentes. Segundo ele, a prioridade do grupo de trabalho será esclarecer as falhas de fiscalização, proteger os investidores e reforçar a credibilidade do sistema financeiro.






