Casas Bahia enfrenta prejuízo de R$ 10 bilhões e sinaliza possível recuperação judicial; reestruturação inclui fechamento de lojas e demissões.

A Casas Bahia revelou resultados alarmantes para o segundo trimestre de 2026, encerrando o período com um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões. Quando considerados os ajustes financeiros, o resultado negativo se aproximou de R$ 978 milhões, representando um aumento de 76% em relação ao mesmo período do ano anterior. Este cenário desafiador levou a empresa a admitir, em seu balanço trimestral, a possibilidade de recorrer à recuperação judicial ou extrajudicial.

O desempenho da companhia foi severamente afetado por um resultado financeiro líquido negativo de R$ 1,278 bilhão. Este valor é um reflexo do aumento do custo de capital no Brasil, que tem pressionado o setor. De acordo com os dados divulgados, eventos não recorrentes, como a baixa de ativos e gastos relacionados à reestruturação, impactaram em R$ 9,1 bilhões os resultados da empresa.

Contudo, a receita líquida apresentou um crescimento tímido de 1,6%, alcançando R$ 6,97 bilhões. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ainda assim recuou, totalizando R$ 518 milhões, uma diminuição de 9,4%. A empresa reconheceu que o ambiente de crédito mais restritivo, aliado a um cenário macroeconômico adverso, demandou uma reavaliação de sua estratégia operacional.

A nova fase de reestruturação inclui a adesão a medidas radicais, como fechamento de lojas e readequação de estoques e do capital de giro. Até junho, a companhia já havia fechado 298 lojas e reduzido seu quadro de colaboradores para 30.117, cerca de 1.622 a menos do que no início do ano anterior. Essas decisões não foram fáceis e, segundo relatos, muitas demissões afetaram funcionários com longa trajetória na empresa.

A companhia também se vê na necessidade de revisar sua estrutura organizacional e os contratos, buscando alinhar suas despesas às projeções financeiras. A divulgação dos resultados financeiros foi adiada por duas vezes antes de finalmente ser liberada, o que resultará em uma multa junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

As perspectivas futuras são incertas. O grupo continua avaliando alternativas financeiras e operacionais, ciente dos riscos envolvidos na execução de suas iniciativas. A possibilidade de uma nova recuperação extrajudicial ou judicial está na mesa, uma repetição do que ocorreu em 2024, quando a empresa já lidou com R$ 4,1 bilhões em dívidas. Assim, as próximas ações da Casas Bahia serão cruciais não apenas para sua sobrevivência, mas também para a manutenção de sua posição no muito competitivo mercado de varejo brasileiro.

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