As munições em questão, de calibres .45 e .50, são típicas do uso militar e têm sido encontradas em várias cenas de crimes relacionados a conflitos armados entre organizações criminosas. Essa produção militar, embora sob a égide do governo dos Estados Unidos, é gerida por empresas privadas que, em alguns casos, aproveitam a falta de regulamentação para comercializar o excedente aos cartéis. Especialistas apontam que essa rota informal de vendas e a leniência na fiscalização se transformam em um verdadeiro vetor para a violência organizada no México.
O tema se torna ainda mais preponderante considerando a luta contínua do governo mexicano para responsabilizar fabricantes e distribuidores de armas, tanto nacional quanto internacionalmente. A atual administração, liderada pela presidente Claudia Sheinbaum, herdou uma batalha legal iniciada ainda no governo de Andrés López Obrador. Recentemente, a Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitou um processo que pedia US$ 10 bilhões em danos, por alegações de negligência que para muitos parecem evidentes, mas que carecem de provas diretas de conivência por parte das empresas.
Em resposta a essa crise, Sheinbaum tem buscado a colaboração do governo de Joe Biden para endurecer as medidas contra o tráfico de armas que abastecem os cartéis do lado mexicano da fronteira. Ela enfatizou em declarações públicas que “todos devem fazer a sua parte” no combate à criminalidade, reforçando a necessidade de uma abordagem colaborativa para abordar o crime organizado.
Com a escalada da violência nos estados fronteiriços e o impacto generalizado/no dia a dia dos cidadãos mexicanos, as questões sobre a origem das armas e a implicação da legislação norte-americana se tornam cada vez mais urgentes, demandando uma análise crítica e ação coordenada entre os dois países.
