O debate sobre a politicagem por trás do evento ganhou novos contornos em um ano eleitoral, especialmente após o desfile da Acadêmicos de Niterói. A escola homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que é pré-candidato à reeleição, com um samba-enredo que gerou polêmicas. O repasse de R$ 1 milhão da Embratur para a escola foi logo questionado por opositores, que alegaram tratar-se de uma forma de propaganda eleitoral antecipada, levantando preocupações sobre a influência política dos recursos públicos no Carnaval.
A situação foi levada ao Tribunal de Contas da União (TCU), que inicialmente recomendou a suspensão do repasse. Contudo, o ministro Aroldo Cedraz acabou autorizando a liberação, mas com a exigência de que fossem ouvidas tanto a escola de samba quanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro. Freixo, por sua vez, refutou as acusações de favorecimento político, insistindo que todas as escolas do Grupo Especial receberam o mesmo montante.
Adicionalmente, a Caixa Econômica investiu R$ 14,8 milhões em camarotes, eventos e apresentações de artistas conceituados, como BayanaSystem, Luiz Caldas e Saulo Fernandes. As prefeituras também se destacaram nos investimentos, pagando cachês substanciais para artistas populares. Por exemplo, Wesley Safadão recebeu R$ 1,2 milhão, enquanto Alok e Simone Mendes faturaram R$ 950 mil cada. Nos estados, os governantes intensificaram seus investimentos com somas expressivas, como os R$ 40 milhões gastos no Rio de Janeiro e os R$ 51,6 milhões direcionados pela Riotur, além de R$ 30,2 milhões em São Paulo.
As emendas parlamentares também tiveram seu papel na estruturação financeira do Carnaval, com a contribuição notável de figuras como Guilherme Boulos (PSOL), que destinou R$ 500 mil à escola de samba Vai-Vai, além de valores expressivos da Comissão de Turismo e da Bancada da Bahia, mantendo o Carnaval como um importante tema na esfera política nacional.
