De acordo com o juiz Caio Barros, a presença de Bela na sala de depoimento tem contribuído para atenuar essa tensão. “As crianças ficam preocupadas por não conhecerem o procedimento e pelo peso emocional do que têm a relatar”, observa. O juiz enfatiza que o projeto não se limita a atender apenas crianças; adolescentes, idosos e pessoas com deficiência também recebem apoio, ressaltando a importância do acolhimento a todos os públicos vulneráveis.
A terapeuta Wanessa Oliveira, que trabalha na vara, também notou mudanças significativas no comportamento das crianças durante os depoimentos. “Elas costumam chegar ansiosas e, muitas vezes, envergonhadas. Com a presença da Bela, elas se sentem mais à vontade, e isso diminui a ansiedade. Ao entrarmos na sala de depoimento, é notável como estão mais relaxadas”, comenta. Este efeito tranquilizador do animal é crucial em um ambiente onde as crianças precisam se abrir sobre experiências traumáticas.
O “Projeto Cura” é fruto de uma parceria com o Canil da Polícia Militar de Alagoas, que disponibiliza animais treinados para proporcionar esse suporte emocional. Bela está presente na vara às segundas-feiras, quando são realizados os depoimentos especiais. Contudo, a equipe está empenhada em expandir a iniciativa para que a cadela possa estar no local ao menos duas vezes por semana.
“O nosso objetivo é garantir um acolhimento caloroso desde a chegada, durante o depoimento e na hora da despedida. Queremos que essa experiência seja a menos traumática possível para as crianças”, finaliza o juiz Barros, exemplificando a importância de projetos que unem a força do carinho animal ao suporte emocional em momentos tão difíceis. A casinha azul e o rabo balançando da Bela tornam-se um símbolo de esperança e carinho em um ambiente muitas vezes associado ao sofrimento.





