Sistema Cantareira Enfrenta Desafio Crítico com o Pior Início de Maio em Uma Década
O Sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento de água da região metropolitana de São Paulo, inicia o mês de maio de 2023 em uma situação alarmante. Este é considerado o pior começo do mês nos últimos dez anos, com índices semelhantes aos registrados em 2016, quando o sistema ainda se recuperava da severa crise hídrica que afetou a região em anos anteriores. No último domingo, as represas que compõem esse maior manancial estavam com apenas 42,3% de sua capacidade, um indicativo preocupante às vésperas do período mais seco do ano.
Em comparação com o mesmo período de 2022, o Cantareira apresenta uma escassez significativa, com 150 bilhões de litros a menos. Essa quantidade representa, em termos práticos, o equivalente a mais de dois meses de captação para o sistema, que opera atualmente com uma retirada média de cerca de 26 mil litros por segundo. Esse cenário crítico levou o sistema a permanecer na Faixa 2, que indica atenção, durante o mês de maio. A Sabesp, Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, está autorizada a aumentar a retirada de água para até 31 mil litros por segundo, além do volume proveniente da transposição da Usina Hidrelétrica Jaguari, localizada na bacia do rio Paraíba do Sul.
Em resposta à crise hídrica, a Sabesp adotou uma gestão de demanda noturna, reduzindo a pressão do fornecimento de água por dez horas diariamente, das 19h às 5h. Essa medida, embora necessária, tem impactado de maneira mais aguda os bairros mais elevados e as áreas periféricas da capital.
A situação se agrava com a redução contínua da vazão natural do Cantareira, que em abril ficou abaixo da média esperada. Desde 2011, o sistema tem recebido menos água do que o habitual, mesmo considerando a forte chuva que ocorreu durante o primeiro quadrimestre daquele ano. A vazão natural fornece uma visão mais precisa do volume que um reservatório consegue acumular, já que, frequentemente, mesmo chuvas intensas não resultam em um aumento proporcional nos níveis dos reservatórios devido à evaporação e à absorção do solo ressecado.
Esperava-se que a vazão natural em abril fosse de 45.300 litros por segundo; no entanto, o real foi de apenas 24.650 litros por segundo, seguindo a tendência negativa dos anos anteriores. De fato, 2023 se aproximou da média histórica com uma vazão de 43.870 litros por segundo, mas isso foi uma exceção. A média nos últimos 15 anos para o mês de abril é de aproximadamente 25.666 litros por segundo.
Meteorologistas e especialistas em recursos hídricos têm apontado para mudanças nos padrões climáticos como uma das grandes dificuldades que a região precisará enfrentar nos próximos anos. A baixa vazão do Cantareira é mais um sinal de que o Brasil, especialmente São Paulo, está diante de um cenário hídrico desafiador. A gestão eficiente dos recursos naturais se torna cada vez mais crucial para garantir o abastecimento e a sustentabilidade na região.
