Candidatos são presos em esquema de fraude em concurso da Receita Estadual em Goiás usando celular e ChatGPT para obter respostas.

Um caso inusitado de tentativa de fraude em concurso público ocorreu em Goiânia, onde um candidato de 28 anos foi preso em flagrante enquanto participava do exame para auditor fiscal da Receita Estadual de Goiás. O concurso aconteceu no último domingo e atraiu mais de 23,5 mil participantes. O jovem, que estava levando um celular camuflado no banheiro da instituição, tentava capturar imagens das questões da prova para enviá-las à esposa, que, por sua vez, utilizava a tecnologia de inteligência artificial ChatGPT para pesquisar respostas e retransmitir as informações via WhatsApp.

A prisão do candidato, acompanhado da sua esposa de 24 anos, se deu após uma rotina de fiscalização que já havia sido intensificada durante a prova. Fiscais, alertados por comportamentos suspeitos, iniciaram uma vistoria no banheiro masculino e encontraram um celular escondido atrás de um vaso sanitário, fixado com fita adesiva. O exame mais rigoroso gerou desconfiança, principalmente quando notaram que o candidato retornava repetidamente ao banheiro, onde permanecia por longos períodos.

Durante a abordagem policial, a mochila do candidato revelou uma capinha compatível com o dispositivo encontrado no banheiro, o que reforçou as evidências de sua culpabilidade. Em depoimento, o acusado revelou que se juntou ao esquema por enfrentar dificuldades financeiras com sua esposa, que confirmou os detalhes do plano – desde a ocultação do celular até a forma como as questões seriam enviadas.

A situação se agravou com a interceptação da esposa na Rodoviária de Anápolis, onde confessou seu papel no delito e forneceu acesso ao celular utilizado nas conversas com o marido. Ambos foram autuados pela Polícia Civil por fraude em concurso público, inicialmente com uma fiança elevada, posteriormente reduzida para um salário mínimo. Após o pagamento, foram liberados.

A Fundação Carlos Chagas, responsável pela organização do concurso, já havia declarado a eliminação do candidato, conforme as normas estabelecidas no edital, que prevê a exclusão de participantes flagrados utilizando meios ilícitos ou comunicação externa durante a prova. Em nota, a FCC informou que medidas rigorosas de segurança foram adotadas e que a integridade do concurso não foi comprometida. Em resposta, a Secretaria da Economia de Goiás também ressaltou que o episódio é isolado e que os protocolos de segurança foram atualizados, incluindo o uso de detectores de metais e o acondicionamento de eletrônicos em envelopes lacrados.

Este episódio não apenas destaca a constante luta contra fraudes em concursos públicos, mas também evidencia a criatividade com que alguns indivíduos buscam burlar as regras em troca de vantagens pessoais.

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