Canadá planeja lançar microssatélite POET em 2029 para ampliar busca por exoplanetas terrestres e potenciais sinais de vida em anãs ultrafrias.

O Canadá está em vias de lançar uma nova missão espacial que promete revolucionar a busca por exoplanetas. Com o nome de POET, este microssatélite, programado para lançamento em 2029, tem como foco a identificação de mundos do tamanho da Terra que orbitam anãs ultrafrias. O objetivo é encontrar alvos ideais para futuras análises atmosféricas, além de procurar potenciais bioassinaturas que possam indicar a presença de vida.

A exploração por vida fora do nosso planeta tem avançado a passos largos, especialmente com a crescente confirmação de exoplanetas, que já chega a quase 6.300, segundo a NASA. Dentro desse número, mais de 200 são mundos rochosos, despertando a curiosidade de cientistas e entusiastas do espaço. O avanço dos telescópios e novas tecnologias têm levado à expectativa de que a descoberta de planetas semelhantes à Terra se torne cada vez mais comum.

O microssatélite canadense POET foi projetado especificamente para descobrir exoplanetas, além das chamadas super-Terras, que orbitam estrelas menores e frias — as anãs ultrafrias, como as da classe K e M, e as anãs marrons, classificadas frequentemente como “estrelas falhas”. A proposta do projeto contempla utilizar o método de trânsito: ao observar os sutilmente variáveis brilhos dessas estrelas quando um planeta transita à sua frente, os cientistas poderão identificar exoplanetas menores com maior facilidade, dada a maior relação entre o tamanho da estrela e do planeta.

O desenvolvimento do POET se fundamenta na experiência adquirida pelo Canadá com microssatélites anteriores, como o MOST e o NEOSSat. Enquanto o MOST, lançado em 2003, era conhecido por estudar estrelas e asteroides, o POET traz inovações como um telescópio de maior diâmetro, além da capacidade de observar uma ampla gama de comprimentos de onda, que vai do ultravioleta ao infravermelho.

Com um catálogo já elaborado, os pesquisadores filtraram mais de 7.200 anãs ultrafrias até chegarem a 3.000 estrelas que estão a menos de 100 parsecs do nosso planeta. As simulações indicam que o microssatélite poderá detectar planetas com períodos orbitais entre 7 e 50 dias e raios de uma a 2,5 vezes o tamanho da Terra. Para um primeiro ano de missão, 100 a 300 alvos prioritários foram identificados.

O que torna esses planetas ainda mais intrigantes é que muitos devem estar localizados na zona habitável, tornando-se candidatos ideais para análises mais profundas com ferramentas como o Telescópio Espacial James Webb. A missão POET, portanto, pode abrir novos horizontes na busca por vida fora do Sistema Solar, proporcionando um futuro mais claro na exploração de mundos potenciais.

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