Canadá formaliza novo acordo com a China, reduzindo tarifas sobre veículos elétricos e exportações agrícolas, em movimento de distanciamento da estratégia dos EUA.

O governo canadense formalizou um novo acordo tarifário com a China, destacando mudanças significativas nas relações comerciais entre os dois países. Este movimento, que ocorre em um contexto de crescente tensão entre os Estados Unidos e a China, sinaliza um afastamento da abordagem tradicional de Ottawa alinhada a Washington. A notícia foi amplamente repercutida na imprensa canadense.

O acordo, que permitirá a importação de aproximadamente 50 mil veículos elétricos fabricados na China anualmente, estabelece uma tarifa reduzida de 6,1%. Essa taxa é um avanço considerável em relação aos 100% cobrados anteriormente, tornando o mercado canadense mais acessível para automóveis elétricos chineses.

Como parte desse entendimento, a China concordou em cortar drasticamente as tarifas sobre a canola canadense e a eliminar impostos sobre uma variedade de produtos, incluindo farelo de canola, lagosta, caranguejo e ervilhas. Além disso, Pequim decidiu abolir a exigência de visto para cidadãos canadenses, um gesto diplomático que pode facilitar o intercâmbio cultural e comercial.

Em declarações recentes, o primeiro-ministro Mark Carney ressaltou que este acordo representa uma importante recalibração nas relações entre o Canadá e a China, especialmente após anos de tensões e incertezas. Durante uma reunião com o presidente chinês Xi Jinping, Carney destacou que a relação com aChina tem se mostrado “mais previsível” do que as interações com os Estados Unidos, que têm sido marcadas por políticas protecionistas e interrupções comerciais.

O novo acordo intercede em um cenário marcado por tarifas altas impostas pelos Estados Unidos sob a administração de Donald Trump, que prejudicaram as exportações canadenses e geraram um clima de desconfiança. Em resposta a essas medidas, a China havia implementado tarifas sobre produtos agrícolas e alimentícios canadenses, intensificando o conflito comercial.

Vale ressaltar que Carney é o primeiro-ministro canadense a visitar a China desde 2017, período em que a nação asiática solidificou sua posição como o segundo maior parceiro comercial do Canadá, apenas atrás dos Estados Unidos. O foco do premiê, em sua visita, foi iniciar uma “nova era de relações” com a China, e, além do acordo tarifário, foram firmados compromissos em setores como energia, saúde animal e agricultura.

Este desdobramento nas relações comerciais reflete uma mudança estratégica do Canadá, que parece buscar diversificação em suas parcerias econômicas e um posicionamento mais autônomo em um ambiente global complexo.

Jornal Rede Repórter - Click e confira!


Botão Voltar ao topo