O projeto foi submetido à Câmara sob o regime de urgência constitucional, o que impõe um prazo de até 45 dias para que os parlamentares deliberem sobre ele. O não cumprimento deste prazo resultaria em um bloqueio da pauta do Plenário, o que torna a celeridade na votação ainda mais crucial.
Na semana passada, o presidente da Câmara, Hugo Motta, fez um apelo ao Planalto solicitando a retirada da urgência do projeto para facilitar a votação. Entretanto, o governo não atendeu à solicitação. A estratégia da base governista parece ser a de não retroceder na urgência, já que isso poderia derrubar a relevância do tema na agenda do Congresso.
A administração de Luiz Inácio Lula da Silva vê a PEC como uma prioridade a ser aprovada antes do início do recesso parlamentar em 18 de julho. Contudo, a situação se complica na tramitação no Senado, uma vez que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, ainda não despachou o texto da PEC para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), um passo essencial no processo.
Em um movimento para facilitar o trâmite legislativo, Motta designou o deputado Leo Prates como relator do novo projeto de lei, já que ele também foi relator da PEC anteriormente. O intuito é estabelecer um paralelo entre os dois textos, mantendo o compromisso com as prioridades do país e com a classe trabalhadora, conforme destacou Motta em suas redes sociais.
Nos bastidores, há discussões sobre a autonomia da Câmara e como isso poderá impactar a relação com o governo. Apesar de não haver um desejo explícito de conflito, aliados de Motta indicam que é fundamental defender a independência legislativa do Congresso. A expectativa é que Leo Prates mantenha o conteúdo da PEC sem entrar em detalhes sobre regulamentações específicas, que poderiam ser discutidas em um momento posterior após a votação no Senado.
Ainda sobre o Senado, Alcolumbre expressou sua insatisfação com a pressão para acelerar a tramitação da PEC. O tema, tratado como uma bandeira do governo perante a sociedade, figura como uma prioridade, especialmente em um ano eleitoral. Ele busca se reunir com Lula para discutir a situação antes de avançar com a proposta, especialmente após um episódio que prejudicou a relação entre as duas partes.
Por fim, as previsões não são otimistas quanto à votação da proposta nesta semana no Senado, uma vez que Alcolumbre optou por realizar sessões semipresenciais, o que pode diluir a presença de senadores no Plenário. Assim, espera-se que apenas propostas consensuais consigam ser analisadas nos próximos dias.
