Câmara dos Deputados Analisa Projeto de Lei de Inclusão Escolar
No cenário legislativo brasileiro, o Projeto de Lei 1430/25 emerge como uma proposta significativa que visa reformular aspectos cruciais da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). A proposta, sob a autoria da deputada Renata Abreu, do partido Podemos de São Paulo, tem como objetivo central a obrigatoriedade da formação contínua de educadores para a promoção da inclusão escolar, com foco especial em alunos diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Atualmente, o projeto está sendo analisado na Câmara dos Deputados.
A proposta destaca a importância tanto da formação inicial dos docentes — por meio das licenciaturas — quanto da capacitação ao longo da carreira. Um ponto central da proposta é a introdução do Planejamento Educacional Individualizado (PEI), um instrumento pedagógico fundamental que permite a cada educador traçar um perfil individualizado para alunos com deficiência. Esse planejamento funciona como um guia, apresentando as habilidades, dificuldades e metas de aprendizado de cada estudante, possibilitando uma adaptação efetiva do currículo.
Entre as principais mudanças sugeridas pela deputada estão a introdução de um inciso que determina que a formação profissional deve focar na educação inclusiva e na elaboração de PEIs, respeitando as diretrizes já estabelecidas pela Lei Berenice Piana. Além disso, a proposta prevê a obrigatoriedade da inclusão de conteúdos e metodologias sobre a compreensão do autismo nos currículos das licenciaturas voltadas à educação básica.
Renata Abreu ressalta que, apesar de a legislação brasileira garantir o direito à educação para todos, a concretização da inclusão enfrenta barreiras significativas, especialmente a falta de preparação técnica dos professores. “A efetivação dessa inclusão depende diretamente da capacitação dos educadores para compreender as necessidades individuais e desenvolver planejamentos educacionais personalizados”, afirma a deputada. Ela observa que as alterações visam preencher uma lacuna na LDB, que atualmente não detalha a importância do treinamento específico relacionado ao autismo.
Em termos de tramitação, a proposta segue um caráter conclusivo de análise, o que implica que será avaliada pelas comissões de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência, Educação, e Constituição e Justiça e de Cidadania. Este projeto, se aprovado, poderá significar um avanço significativo para a inclusão de alunos com TEA nas salas de aula do Brasil.
