CAMARA DOS DEPUTADOS – Projeto de Lei propõe anistia a mulheres condenadas por aborto no Brasil desde 1940

No cenário legislativo atual, um projeto de lei de grande importância, intitulado Projeto de Lei 820/25, está em tramitação e visa conceder anistia a pessoas acusadas ou condenadas por aborto. A proposta, elaborada pela deputada Erika Hilton, tem como objetivo desonerar legalmente aqueles que realizaram a interrupção da gravidez, com ou sem consentimento da gestante, entre 7 de dezembro de 1940 e a data em que a nova legislação for promulgada.

Atualmente, a legislação brasileira, conforme o Código Penal, prevê penas que variam de um a três anos para mulheres que provocam o próprio aborto, enquanto aqueles que realizam o procedimento com consentimento poderão enfrentar pena de até quatro anos. Contudo, o novo projeto traz uma mudança significativa ao estipular que a anistia será válida mesmo para casos em que a pena tenha sido trocada por alternativas restritivas de direitos ou se o indivíduo estiver cumprindo pena em regime aberto ou sob prisão domiciliar. Além disso, a proposta abrange crianças e adolescentes que, considerando as circunstâncias, tenham cometido atos infracionais relacionados ao aborto, isentando-os das medidas socioeducativas.

A fundamentação de Hilton enfatiza a necessidade de reverter a criminalização do aborto, argumentando que essa prática não só restringe o acesso das mulheres a serviços de saúde adequados, mas também contribui para a adoção de métodos inseguros. Segundo a deputada, a criminalização gera um impacto direto na saúde reprodutiva, perpetuando uma forma de violência de gênero. Ela afirma que a coerção em continuar uma gravidez, em muitos casos, pode ser considerada uma forma de tortura.

Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) indicam uma média de 400 novos processos anualmente no Brasil entre 2018 e 2020, relacionados a abortos consentidos ou autoabortos. A realidade se torna ainda mais alarmante quando se analisa a faixa etária das mulheres envolvidas; um estudo feito entre 2007 e 2010 revelou que 20,2% dos casos de aborto no Rio de Janeiro foram levados à Justiça juvenil, com uma concentração significativa de adolescentes entre 12 e 17 anos.

O Projeto de Lei 820/25, que tramita em caráter conclusivo, passará pela avaliação das comissões de Defesa dos Direitos da Mulher, de Constituição, Justiça e Cidadania antes de seguir para o Senado, onde sua aprovação será crucial para que a proposta se torne lei.

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