Câmara dos Deputados Planeja Aumentar Teto de Faturamento do MEI com Novas Regras e Redução da Inadimplência até Julho

No cenário legislativo brasileiro, a discussão sobre o aumento do teto de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI) está ganhando novos contornos. Integrantes da comissão especial da Câmara dos Deputados estão se mobilizando para apresentar, na próxima semana, um novo texto ao Ministério da Fazenda. A principal intenção dessa ação é reduzir as resistências em torno da proposta, que visa não apenas um aumento no limite de faturamento anual do MEI, mas também a criação de novas alíquotas de contribuição.

Atualmente, o MEI arca com uma alíquota única de 5% do salário mínimo, o que equivale a R$ 81,05. No entanto, as novas alíquotas, que ainda precisam ser definidas, podem variar entre 7,5% e 11%, dependendo da faixa de faturamento. O teto anual do MEI, que é de R$ 81 mil, estaria sujeito a um aumento gradual para valores que variariam de R$ 100 mil a R$ 140 mil, conforme a proposta em análise.

Outro ponto crucial da discussão é a redução do prazo para exclusão do programa em caso de inadimplência, que, segundo a proposta, passaria de 12 meses para apenas dois. Essa mudança visa não apenas mitigar o impacto sobre a Previdência, mas também reduzir a taxa de inadimplência de cerca de 30% a 40%, conforme dados de técnicos envolvidos nas negociações.

Há ainda outras sugestões em pauta. Uma proposta é que médias e grandes empresas, que utilizam os regimes de lucro real ou presumido, passem a contribuir com 11% para a Previdência Social ao contratar MEIs, ao invés dos 5% atuais. Essa medida, apoiada por alguns parlamentares, busca combater a prática da pejotização, um assunto que tem gerado discussões no governo.

Além disso, a comissão discute a elevação do limite de faturamento do Simples Nacional de R$ 4,8 milhões para R$ 8 milhões, o que incluiria uma correção nas faixas de receita. A primeira faixa, que atualmente contempla faturamentos de até R$ 180 mil, subiria para R$ 300 mil.

Embora a proposta original enviada pelo Senado eleve o teto do MEI para R$ 130 mil, o relator, deputado Jorge Goetten, sugere que as mudanças nos dois regimes sejam analisadas em conjunto. Isso é visto como uma forma de evitar que empresas migrem do Simples para o MEI apenas para pagar menos impostos.

Entretanto, o Ministério da Fazenda tem manifestado resistência à elevação do teto de faturamento, argumentando que o regime é deficitário, com contribuições que não cobrem os benefícios necessários. Estimativas apontam que um aumento para R$ 130 mil pode resultar em um impacto que varia de R$ 1 a R$ 2 bilhões entre 2027 e 2028.

Diante desse contexto, há um reconhecimento de que, embora a ampliação do limite para R$ 100 mil em 2027 e R$ 120 mil em 2028 seja viável, não haverá espaço fiscal para mudanças no regime do Simples. Recentemente, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou em audiência pública que a ampliação do faturamento do MEI será discutida em diálogo com o Congresso Nacional.

Por fim, o presidente da Câmara, Hugo Motta, expressou a intenção de votar a proposta antes do recesso parlamentar, previsto para começar em 18 de julho, destacando a urgência e a importância desse debate para o futuro dos microempreendedores no Brasil.

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