CAMARA DOS DEPUTADOS – nova lei impulsiona indústria de saúde no Brasil e reduz dependência externa de insumos médicos, promete inovação e fortalecimento do SUS.

Em um avanço significativo para a saúde pública brasileira, a recém-sancionada Lei 15471/26 estabelece a Estratégia Nacional do Complexo Econômico-Industrial da Saúde. O principal objetivo da legislação é robustecer a capacidade nacional em termos de desenvolvimento, produção e inovação de tecnologias essenciais para o Sistema Único de Saúde (SUS).

A proposta emergiu no contexto da pandemia de Covid-19, quando um grupo de parlamentares, liderado pelo deputado Doutor Luizinho, identificou a vulnerabilidade do país devido à escassez de insumos básicos necessários no combate à doença. Embora medidas provisórias tenham sido implementadas durante a crise, a nova lei busca consolidá-las em um marco legal mais robusto e coeso.

Um dos pilares da política pública instituída pela lei é a redução da dependência externa do Brasil em relação a medicamentos, vacinas e dispositivos médicos. Para isso, o governo pretende explorar o poder de compra do SUS, fortalecer laboratórios públicos e ampliar o acesso a tecnologias estratégicas, visando beneficiar a população de forma geral. Entre as iniciativas destacadas está a Parceria para o Desenvolvimento Produtivo, que visa facilitar a transferência de tecnologia entre empresas privadas e instituições públicas.

Além disso, o Programa de Desenvolvimento e Inovação Local será um incentivador para a pesquisa, oferecendo linhas de crédito e investimentos em inovação. Também há uma proposta de Encomenda Tecnológica, focada no financiamento de pesquisas de alto risco, possibilitando ao governo contratar soluções desenvolvidas posteriormente.

A seleção de empresas a serem consideradas Estratégicas de Saúde será uma das ações previstas na nova legislação. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, acredita que esses investimentos produzirão variações positivas para o SUS, gerando empregos e fomentando um ciclo virtuoso de inovação envolvendo universidades e startups.

Entretanto, a legislação não está isenta de desafios. Durante a votação, a deputada Ana Pimentel ressaltou a continuidade de problemas como a mortalidade por doenças que afligem parcelas da população socialmente negligenciadas, enfatizando a necessidade de desenvolvimento tecnológico para resolver tais questões.

Em resposta a críticas sobre a possível elevação dos custos de tratamento com a produção nacional de equipamentos médicos, o relator da proposta, deputado Isnaldo Bulhões Jr., defendeu que o fortalecimento da indústria local poderá, na verdade, diminuir os preços.

Por outro lado, o governo aplicou cinco vetos ao texto original, incluindo um que versava sobre a tributação de importações, em alinhamento com acordos do Mercosul, além de outras disposições que poderiam afetar negativamente o desenvolvimento de medicamentos genéricos e similares.

Essas iniciativas revelam um esforço conjunto do Parlamento e do Executivo em buscar soluções sustentáveis para a saúde pública, refletindo uma visão de futuro mais autônoma e resiliente.

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