CAMARA DOS DEPUTADOS – Morre José Mujica, ex-presidente uruguaio e ícone da política humanista, aos 89 anos, gerando tributos emocionados de lideranças brasileiras.

Nesta terça-feira, 13 de maio de 2025, o ex-presidente uruguaio José “Pepe” Mujica faleceu aos 89 anos, após uma batalha contra um câncer no esôfago e uma doença autoimune que se arrastava desde abril de 2024. A notícia da sua morte gerou uma onda de tributos emocionais nas redes sociais, especialmente entre os deputados brasileiros, que ressaltaram sua trajetória inspiradora como líder e defensor de causas sociais.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, expressou sua tristeza ao lembrar Mujica como uma referência na política, destacando suas qualidades de diálogo, humanidade e honestidade. “Ele sempre foi um exemplo de simplicidade e preocupação com o próximo”, afirmou Motta, enfatizando a gargalhada que Mujica trouxe ao cenário político latino-americano.

O líder do governo na Câmara, José Guimarães, também homenageou o ex-presidente, chamando-o de inigualável. Descreveu Mujica como um verdadeiro representante do povo, surgido da simplicidade para se tornar um dos grandes líderes da esquerda no continente. Para Guimarães, sua trajetória é emblemática de que a política pode e deve ser feita com simplicidade e compromisso social.

O deputado Lindbergh Farias, do PT, acrescentou que Mujica eternizou-se com suas ideias e a luta constante em favor dos menos favorecidos, ecoando a frase que ficou famosa: “os homens passam, as causas permanecem”. De acordo com Farias, a entrega e o legado de Mujica ressoam firme nas novas gerações.

A deputada Talíria Petrone, líder do Psol, fez uma reflexão sobre a coragem de Mujica na época de guerrilha, sua visão enquanto presidente e a humildade que sempre o acompanhou como militante. Para ela, Mujica não foi apenas um político, mas um símbolo de resistência e esperança.

Nascido em Montevidéu, Mujica ocupou a presidência do Uruguai entre 2010 e 2015. Sua trajetória política começou nas décadas de 1960 e 1970, quando integrou o Movimento de Libertação Nacional – Tupamaros, um grupo guerrilheiro que se destacou por suas ações sociais. Após 14 anos de prisão e tortura durante a ditadura uruguaia, ele retornou à vida pública em 1985, servindo como deputado, ministro da Agricultura e senador.

Como presidente, Mujica foi conhecido por suas políticas sociais avançadas, que resultaram em uma considerável redução da pobreza no país e na aprovação da legalização da maconha. Seu estilo de vida pessoal também marcou a história: vivia de maneira austera, doando uma parte significativa de seu salário para causas sociais e optando por não residir no palácio presidencial.

O governo brasileiro, em uma nota oficial, ressaltou Mujica como um “grande amigo do Brasil”, mencionando sua contribuição significativa para a integração latino-americana, através de sua atuação no Mercosul e em outras organizações regionais. Suas convicções humanistas e o comprometimento com a construção de um futuro melhor para a América do Sul deixarão um legado indelével na política regional.

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