O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, expressou sua tristeza ao lembrar Mujica como uma referência na política, destacando suas qualidades de diálogo, humanidade e honestidade. “Ele sempre foi um exemplo de simplicidade e preocupação com o próximo”, afirmou Motta, enfatizando a gargalhada que Mujica trouxe ao cenário político latino-americano.
O líder do governo na Câmara, José Guimarães, também homenageou o ex-presidente, chamando-o de inigualável. Descreveu Mujica como um verdadeiro representante do povo, surgido da simplicidade para se tornar um dos grandes líderes da esquerda no continente. Para Guimarães, sua trajetória é emblemática de que a política pode e deve ser feita com simplicidade e compromisso social.
O deputado Lindbergh Farias, do PT, acrescentou que Mujica eternizou-se com suas ideias e a luta constante em favor dos menos favorecidos, ecoando a frase que ficou famosa: “os homens passam, as causas permanecem”. De acordo com Farias, a entrega e o legado de Mujica ressoam firme nas novas gerações.
A deputada Talíria Petrone, líder do Psol, fez uma reflexão sobre a coragem de Mujica na época de guerrilha, sua visão enquanto presidente e a humildade que sempre o acompanhou como militante. Para ela, Mujica não foi apenas um político, mas um símbolo de resistência e esperança.
Nascido em Montevidéu, Mujica ocupou a presidência do Uruguai entre 2010 e 2015. Sua trajetória política começou nas décadas de 1960 e 1970, quando integrou o Movimento de Libertação Nacional – Tupamaros, um grupo guerrilheiro que se destacou por suas ações sociais. Após 14 anos de prisão e tortura durante a ditadura uruguaia, ele retornou à vida pública em 1985, servindo como deputado, ministro da Agricultura e senador.
Como presidente, Mujica foi conhecido por suas políticas sociais avançadas, que resultaram em uma considerável redução da pobreza no país e na aprovação da legalização da maconha. Seu estilo de vida pessoal também marcou a história: vivia de maneira austera, doando uma parte significativa de seu salário para causas sociais e optando por não residir no palácio presidencial.
O governo brasileiro, em uma nota oficial, ressaltou Mujica como um “grande amigo do Brasil”, mencionando sua contribuição significativa para a integração latino-americana, através de sua atuação no Mercosul e em outras organizações regionais. Suas convicções humanistas e o comprometimento com a construção de um futuro melhor para a América do Sul deixarão um legado indelével na política regional.
