Câmara dos Deputados inicia discussão sobre PEC que pode transformar jornada de trabalho e regulamentar o trabalho por aplicativos na legislação brasileira.

Na próxima terça-feira, a Câmara dos Deputados dará início à primeira reunião da comissão especial responsável por analisar a proposta de emenda à Constituição (PEC) que visa eliminar a jornada de trabalho de seis dias por uma. A discussão sobre a PEC tem avançado rapidamente, e parte dos parlamentares está em plena articulação para apresentar emendas que ampliem seu escopo, visando incorporar uma série de alterações nas relações de trabalho. Este pacote de emendas é fruto da Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE) e aborda diversas questões relacionadas ao trabalho.

Um dos principais pontos das emendas é o trabalho por aplicativos, que busca estabelecer um marco legal (na Constituição) indicando que o trabalho realizado por meio de plataformas digitais não gera vínculo empregatício. Os defensores da proposta argumentam que o modelo atual de trabalho independente é caracterizado por flexibilidade, autonomia e liberdade, e, por isso, uma regulação clara é necessária para evitar a insegurança jurídica enfrentada por trabalhadores e empresas.

Os proponentes enfatizam que essas alterações não têm como objetivo retirar direitos, mas sim adaptar a legislação à realidade moderna do mercado de trabalho, promovendo inovação e geração de renda. A urgência do tema se destaca, especialmente após um projeto anterior de regulamentação para os aplicativos ter ficado estagnado devido a divergências entre o governo e o seu relator, Augusto Coutinho, do Partido Republicano.

Outro aspecto relevante das emendas diz respeito às Normas Regulamentadoras (NRs) de saúde e segurança do trabalho, que devem ser submetidas à aprovação da comissão da Câmara antes de sua publicação. Parlamentares defendem que essas normas impõem novas exigências sem respaldo legal claro, o que pode gerar custos excessivos para as empresas. Com isso, busca-se recuperar a função legislativa do Congresso na definição dessas diretrizes.

As discussões também giram em torno do princípio do negociado sobre o legislado, propondo que acordos e convenções coletivas sejam ratificados mesmo que impliquem alterações em direitos trabalhistas. Essa iniciativa visa dar ao Congresso um maior controle sobre as normas trabalhistas.

Ademais, a quarta emenda sugere a definição de parâmetros para os honorários de sucumbência na Justiça do Trabalho, estabelecendo que, nos casos de derrota do trabalhador, honorários entre 10% e 20% deverão ser pagos, exceto em casos de gratuidade da justiça. Tal medida, de acordo com os proponentes, é uma resposta ao que consideram um uso excessivo do sistema judicial.

A cúpula da Câmara, liderada pelo presidente Hugo Motta (Republicanos-PB), está se empenhando em acelerar a tramitação dessas propostas, convocando sessões ao longo da semana para evitar que a pauta seja travada por projetos do governo que abordem temas similares. Nesse contexto, a primeira reunião da comissão está prevista para deliberar requisitos e um plano de trabalho, com a expectativa de que o relator apresente o parecer até a segunda quinzena de maio.

Por fim, o presidente da comissão, Alencar Santana (PT-SP), e seu relator, Léo Prates (Republicanos-BA), planejam realizar audiências públicas em diversos estados para ampliar o debate, ouvindo tanto representantes dos trabalhadores quanto do setor produtivo. Nos bastidores, estão sendo observados sinais de resistência às emendas, o que pode influenciar a possibilidade de medidas compensatórias para as empresas caso haja redução na jornada de trabalho. A expectativa predominante que circula entre os parlamentares é que uma ampliação do escopo da PEC poderia dificultar sua aprovação, levando à urgência em suas deliberações.

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