CAMARA DOS DEPUTADOS – Indígenas em Brasília defendem demarcação de terras como ferramenta contra crise climática durante 22ª edição do Acampamento Terra Livre, com mais de 7 mil participantes.

Indígenas se Mobilizam em Brasília: A Luta pela Demarcação de Terras e Combate à Crise Climática

Na capital federal, Brasília, a 22ª edição do Acampamento Terra Livre atrai mais de 7 mil pessoas, incluindo indígenas e aliados, de diversas partes do Brasil, que se reúnem até o dia 11 de abril em defesa de seus direitos territoriais e do meio ambiente. O evento, que marca o início do Abril Indígena, é um espaço crucial de mobilização, visando conscientizar a população e as autoridades sobre a importância da demarcação de terras indígenas para a proteção ambiental e o enfrentamento da crise climática.

Durante uma sessão solene realizada na Câmara dos Deputados, a deputada Sônia Guajajara, que recentemente se afastou do cargo de Ministra dos Povos Indígenas para concorrer a um novo mandato, enfatizou a temática do Acampamento com o lema “Nosso futuro não está à venda, a resposta somos nós”. Esse slogan reflete a convicção dos povos indígenas de que seus territórios são direitos inalienáveis, não meras mercadorias. Guajajara destacou que o encontro transcende um simples evento, representando memória, educação e uma estratégia política vital.

O movimento, que teve início em 2004 com apenas 100 participantes da região Sul, vem se fortalecendo ao longo dos anos. Na edição atual, o objetivo é expor as ameaças enfrentadas pelos povos originários e buscar soluções que fortaleçam a democracia enquanto se aborda os desafios climáticos.

A ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, presente na sessão, sublinhou a relevância da demarcação das terras indígenas, considerando-a não apenas uma questão de justiça histórica, mas uma estratégia essencial para que o Brasil atinja suas metas ambientais e proteja sua rica biodiversidade.

Em seu discurso, a deputada Célia Xakriabá, que presidiu a sessão, lembrou as conclusões da COP 30, que ressaltaram o papel fundamental dos territórios indígenas na mitigação dos efeitos das mudanças climáticas. O atual ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, também apresentou um panorama das atividades da pasta, apontando progressos na demarcação de terras e a regularização de diversas áreas. Ele destacou a relevância de um debate aberto sobre o marco temporal no Congresso, um tema controverso que impacta diretamente os direitos indígenas.

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, organizadora do acampamento, através de sua presidente Jéssica Guarani, reafirmou a necessidade da demarcação para garantir democracia e soberania. Ela também solicitou ações mais incisivas por parte do governo na proteção dos territórios indígenas, denunciando qualquer tentativa de barganha que comprometa a autonomia e os direitos dos povos originários.

O Acampamento Terra Livre, além de ser uma plataforma de luta, representa um apelo urgente à sociedade e ao governo para que respeitem os direitos dos indígenas e se comprometem com a preservação do meio ambiente, reconhecendo que o futuro do planeta depende cada vez mais de sua liderança e sabedoria.

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