CAMARA DOS DEPUTADOS – Indígenas e Parlamentares Reforçam a Necessidade de Mais Representatividade em Seminário Histórico na Câmara dos Deputados sobre Direitos dos Povos Originários.

No dia 8 de abril de 2026, a Câmara dos Deputados sediou o 4º Seminário sobre Direitos dos Povos Indígenas, promovido pela Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais. Durante o evento, lideranças indígenas e parlamentares se uniram para discutir a necessidade urgente de aumentar a representatividade dos povos originários nos espaços de poder.

Sônia Guajajara, deputada e ex-ministra dos Povos Indígenas, destacou que o período eleitoral representa uma oportunidade fundamental para impulsionar a presença indígena nas esferas institucionais. A parlamentar afirmou: “Estamos lutando pelo nosso direito de existir e de estabelecer nossos projetos de vida, assim como pela capacidade de nos opormos de maneira efetiva às injustiças”. Guajajara ressaltou a importância de ampliar a representação indígena, atualmente composta por três deputadas, e pediu um maior comprometimento dos políticos em reconhecer a diversidade do Brasil.

A presidente da Comissão da Amazônia, Juliana Cardoso, também reforçou essa exigência, indicando que é essencial fortalecer o que ela chamou de “bancada do cocar”. Cardoso advertiu que uma maior presença indígena é imperativa para enfrentar questões críticas como a violência e a segurança jurídica em relação às terras indígenas, especialmente considerando propostas como a do “marco temporal”, que busca restringir o reconhecimento das terras apenas àquelas ocupadas a partir da data de 5 de outubro de 1988. “Este projeto favorece interesses privados e, em particular, a mineração em áreas que deveriam ser protegidas”, enfatizou Cardoso.

A ativista Alessandra Munduruku, da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, abordou os impactos devastadores da mineração nas comunidades indígenas, como a contaminação das águas e o aumento da violência. “A exploração mineral gera situações de risco extremo, tanto físicamente dentro dos nossos territórios quanto nas discussões políticas que moldam nosso futuro”, declarou.

A preservação ambiental também foi um ponto central no seminário, com Francisco Itamar Melgueiro, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas, defendendo que os saberes e práticas tradicionais dos povos indígenas são essenciais para a luta contra as mudanças climáticas. Sônia Guajajara completou afirmando que reconhecer e garantir os direitos territoriais é vital para uma transição energética justa e sustentável.

Por fim, Ceiça Pitaguary, secretária nacional de Gestão Ambiental e Territorial Indígena, trouxe à tona a trajetória histórica de resistência dos povos indígenas desde a década de 1970, citando a conquista dos direitos consagrados na Constituição de 1988. “A responsabilidade agora é nossa. Não podemos permitir que esses direitos sejam perdidos”, concluiu Guajajara, ressaltando a necessidade de um compromisso contínuo na luta por justiça e igualdade.

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