CAMARA DOS DEPUTADOS – “Indígenas denunciam genocídio e cobram reparações em audiência na Câmara dos Deputados sobre violações históricas durante a abertura de rodovias e exploração mineral.”

Na última quarta-feira, a Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados realizou uma audiência pública para debater a criação da Comissão Nacional Indígena da Verdade, uma proposta cobrada por diversos líderes indígenas em resposta à invisibilidade das vítimas de violações de direitos humanos nos relatos oficiais de anistia. O evento, promovido pelo deputado Reimont (PT-RJ), destacou a “dívida insanável” do Estado brasileiro para com as populações indígenas e camponeses, que historicamente sofreram com a exploração de suas terras em nome de grandes empreendimentos econômicos.

Entre os relatos emocionantes, Elda Diarroi, representante do povo Jauí, compartilhou a dramática situação de sua comunidade, que quase foi extinta com a construção da BR-230, uma obra que, segundo suas palavras, deixou apenas seis sobreviventes em seu território. Essa situação não é um caso isolado. Cleudo Alves de Souza Tenharin, líder do povo Tenharim, denunciou a expulsão de comunidades em sua região, afirmando que o Exército utilizou bombas e venenos para facilitar essa remoção em prol da exploração mineral, além de relatar o agravamento de epidemias, como sarampo e gripe, que afetaram sua população devido à chegada de obras e trabalhadores.

Dentre os presentes, o ex-deputado federal Gilney Amorim Viana lamentou a falta de um reconhecimento formal para os indígenas como vítimas de perseguições políticas. De acordo com ele, a Comissão Nacional da Verdade, que investigou as atrocidades ocorridas durante a ditadura militar, identificou mais de 8 mil mortes indígenas, mas sequer fez o reconhecimento individual de suas histórias para fins de reparação.

No âmbito agrário, a representante dos colonos da Gleba Sidapar, Rita de Cássia Vidal Vasquez, revelou horrores cometidos durante conflitos agrários na década de 1980, incluindo torturas e assassinatos ocultos em covas rasas.

Além disso, representantes do Ministério Público e da sociedade civil apontaram que as graves violações não foram incidentais, mas sim parte de uma política estatal patrocinada por grandes empresas. A subprocuradora-geral do Trabalho, Sandra Lia Simon, mencionou investigações que revelaram a participação de conglomerados como Volkswagen, Itaipu, Petrobras, Paranapanema e Aracruz em práticas de trabalho escravo e remoções forçadas de indígenas.

O padre Ricardo Rezende Figueira, professor da UFRJ, enfatizou que a ocupação da Amazônia se configurou como um “programa de Estado” que favoreceu interesses financeiros em detrimento dos direitos dos povos locais, perpetuando um cenário de terror no campo. A audiência trouxe à tona questões urgentes sobre a memória e a reparação das violações de direitos humanos que permanecem latentes na história do Brasil.

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