Luciana Leite, representante da Fundação para a Justiça Ambiental, alertou para a relevância das áreas úmidas, ressaltando que apesar de ocuparem apenas 6% da superfície do planeta, elas estocam carbono em quantidades equivalentes ao acumulado em todas as florestas tropicais do mundo. A especialista explicou que isso ocorre devido à quantidade de matéria orgânica presente no subsolo desse tipo de bioma, onde a decomposição gera gases ricos em carbono.
A degradação das áreas úmidas poderia aumentar em 40% as chances de ultrapassar a meta de emissões de carbono estabelecida para limitar o aquecimento global em 2 graus Celsius, de acordo com Luciana Leite. Ela também alertou para a rápida diminuição das áreas úmidas em todo o mundo como consequência das mudanças climáticas.
Durante o debate, Nauê Azevedo, diretor-executivo do Instituto SOS Pantanal, denunciou o avanço de atividades degradantes na região e pediu a aprovação de um projeto de lei que visa criar a “Lei do Pantanal”. Ele ressaltou a importância de considerar os diferentes aspectos de cada parte do bioma, já que qualquer intervenção pode ter impactos climáticos significativos.
A ativista e representante do povo Pataxó, Alice Pataxó, também destacou a relevância da demarcação dos territórios indígenas para a preservação ambiental. Ela argumentou que não é possível falar sobre proteção das florestas tradicionais brasileiras sem considerar a proteção dos povos tradicionais do país, reforçando a importância de dar voz às populações indígenas em debates como a COP.
O deputado Nilto Tatto, organizador do debate, propôs encaminhar uma carta da Frente Parlamentar Ambientalista à presidência da COP30, solicitando a inclusão das áreas úmidas nas discussões da conferência global sobre clima. Portanto, os participantes do debate na Câmara dos Deputados demonstraram preocupação e engajamento para garantir a preservação do Pantanal e o reconhecimento da importância dos povos tradicionais na agenda ambiental global.
