CAMARA DOS DEPUTADOS – Desigualdade de Gênero e Raça: Jovens Mulheres Negras Enfrentam Desemprego e Salários Menores no Mercado de Trabalho brasileiro

Na última segunda-feira, dia 24, um debate promovido pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados abordou a alarmante desigualdade racial e de gênero que permeia o mercado de trabalho brasileiro, refletindo um problema que afeta especialmente as jovens mulheres negras. Durante o evento, representantes governamentais, de ONG’s e de organizações defensoras dos direitos humanos elencaram dados que evidenciam um cenário preocupante: enquanto as jovens brancas recebem, em média, salários muito superiores, as mulheres negras enfrentam taxas de desemprego significativamente mais altas.

Um estudo revelador mostrou que as jovens negras ganham 102% a menos do que suas contemporâneas brancas. Waldete Tristão, do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades, destacou que cerca de 40,8% das jovens negras estão inseridas no mercado informal, em comparação a 32,4% de jovens brancas, evidenciando a precariedade das oportunidades disponíveis. Adicionalmente, no terceiro trimestre de 2024, a taxa de desemprego entre jovens negras atingiu 16%, o dobro da taxa registrada entre jovens brancas. Esse cenário expõe uma dura realidade em que quase metade das mulheres empregadas está no mercado de trabalho há menos de um ano.

A discussão não se limita ao Brasil. Barbara Barboza, da Oxfam Brasil, trouxe à tona a situação global, revelando que 16,4% das mulheres negras estão desempregadas em todo o mundo. A taxa sobe para 26% entre jovens que não estudam nem trabalham, situação que, segundo ela, não é fruto de desinteresse, mas sim de barreiras estruturais que tornam a inserção dessas mulheres no mercado ainda mais desafiadora.

Dentre os principais obstáculos mencionados estão a dificuldade em conciliar trabalho com responsabilidades de cuidado, o aumento do casamento infantil e a gravidez na adolescência, além da escassez de oportunidades locais. Já Nailah Neves Veleci, do Ministério da Igualdade Racial, destacou os esforços para aumentar a representação de pessoas negras, indígenas e quilombolas em cargos de decisão. Sua fala também ressalta a recorrente falta de investimento nas políticas públicas voltadas para o empoderamento racial.

A deputada Juliana Cardoso, incentivadora da audiência, trouxe à tona a legislação que favorece a participação de pessoas negras nas eleições, enfatizando a importância das cotas criadas em 2020 para aumentar essa representatividade. Contudo, ainda não existem cotas obrigatórias para candidaturas de indivíduos negros, o que difere da legislação que assegura ao menos 30% de mulheres nas candidaturas.

Finalmente, a coordenadora-geral de Fiscalização e Promoção do Trabalho Decente do Ministério do Trabalho e Emprego, Dercylete Lisboa Loureiro, fez referência à criação de órgãos específicos para combater discriminações no ambiente de trabalho, ressaltando que, embora a ação seja tardia, representa um novo passo na luta por igualdade. Com o olhar voltado para a Marcha Nacional das Mulheres Negras, prevista para o dia seguinte, as discussões ressaltaram a urgência de ações efetivas para transformar a realidade das mulheres negras no Brasil.

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