Na última quarta-feira, a Comissão de Turismo da Câmara dos Deputados promoveu uma discussão acalorada sobre os preços das passagens aéreas no Brasil, tema que tem gerado insatisfação crescente entre os parlamentares. Durante a reunião, os deputados manifestaram preocupações sobre a disparidade de valores que, segundo eles, prejudica o potencial turístico do país, especialmente em comparação com tarifas internacionais.
O deputado Robinson Faria, do Partido Progressista do Rio Grande do Norte, foi um dos principais críticos das altas tarifas. Ele trouxe à tona dados alarmantes, como o fato de que um voo entre Brasília e Manaus, com duração de aproximadamente três horas, pode custar mais do que um trecho direto e internacional de Brasília a Lisboa, que dura cerca de nove horas. Faria ressaltou que, desde o início da pandemia, as passagens aéreas no Brasil aumentaram em média 118%, com um incremento que pode chegar a 328% na região Norte.
Outra situação que chamou a atenção é a similaridade nos preços praticados pelas três maiores companhias aéreas do país — Gol, Latam e Azul. O deputado expressou sua indignação ao notar que as tarifas são quase idênticas e se questionou a falta de representantes das aéreas no debate. “A diferença entre os preços é de centavos”, enfatizou Faria, sugerindo uma possível conotação de cartel no setor.
Em contraponto, o representante da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Renato Rabelo, trouxe à tona uma série de fatores que justificariam os altos custos das passagens, incluindo a elevação dos preços do combustível, que é impactado pela oscilação do dólar, e o aumento da carga tributária. Rabelo comentou que cerca de 60% dos custos aéronauticos são atrelados à moeda americana, especialmente o querosene de aviação, que compõe mais de 30% do gasto total das operadoras.
O deputado Keniston Braga, do MDB do Pará, também solicitou ações em prol da redução dos preços, destacando que, apesar das promessas relacionadas à cobrança de bagagens, os custos permanecem inalterados e continuam a afetar negativamente a população, especialmente na região Norte do Brasil.
Para completar o quadro, Marco Antônio Porto, da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), explicou que os dados que indicam o aumento nas tarifas podem ser influenciados pelo método de coleta de informações. Ele mencionou que a tarifa média nacional, nos últimos doze meses, foi de aproximadamente R$ 665 por trecho, embora reconhecesse que diversos passageiros desembolsam valores significativamente mais elevados.
O tom da reunião indicou que a preocupação com as passagens aéreas reside não apenas no impacto econômico, mas também na promoção do turismo no Brasil, que se vê ameaçado por tarifas que não parecem condizer com a realidade econômica e a capacidade da população de viajar. A discussão promete continuar, à medida que o Brasil busca encontrar soluções efetivas para essa problemática.
