CAMARA DOS DEPUTADOS – Deputado protocola pedido de urgência para anistia a envolvidos em atos antidemocráticos, gerando debates acalorados e pressão do governo.

Na tarde de segunda-feira (14), o líder do Partido Liberal (PL), deputado Sóstenes Cavalcante, apresentou um pedido de urgência para o projeto de lei que propõe anistia aos envolvidos nos atos antidemocráticos ocorridos em 8 de janeiro de 2023, de autoria do PL 2858/22. Caso a solicitação seja aprovada, a proposta poderá ser analisada diretamente pelo Plenário, sem a necessidade de passar por comissões.

Com base no Regimento da Câmara, a urgência pode ser requerida pela maioria absoluta da Casa, que corresponde a 257 deputados. No entanto, o pedido protocolado por Cavalcante já conta com 262 assinaturas confirmadas pela área técnica da Câmara dos Deputados. A definição da pauta de votações do Plenário fica a cargo dos líderes partidários em conjunto com o presidente da Casa, Hugo Motta, do Republicanos da Paraíba.

Durante as discussões em Plenário, o deputado Daniel Almeida, do PCdoB da Bahia, manifestou sua oposição à anistia, argumentando que perdoar os crimes contra o Estado Democrático de Direito colocaria a sociedade em uma posição de vulnerabilidade, estimulando a perpetuação de mais delitos. Já o deputado Márcio Jerry, do PCdoB do Maranhão, criticou a proposta de anistia, afirmando que se trata de um golpe que não pode prosperar.

Por sua vez, a deputada Erika Kokay, do PT do Distrito Federal, destacou que a população não deseja a anistia dos envolvidos nos atos antidemocráticos, mas sim isenção de Imposto de Renda para aqueles que recebem até R$ 5 mil. Ela ressaltou que a proposta de anistia beneficiaria indivíduos que ameaçaram a segurança pública e a ordem institucional.

Em relação às pressões exercidas sobre os parlamentares, o deputado Sargento Fahur, do PSD do Paraná, denunciou supostas interferências do Poder Executivo e do Supremo Tribunal Federal (STF) para que deputados retirasse suas assinaturas em apoio à urgência da anistia. Para o deputado Coronel Assis, da União de Mato Grosso, recusar o debate sobre a proposta de anistia seria um ato antidemocrático.

Dessa forma, o tema continua em destaque no cenário político nacional, suscitando debates acalorados entre os diferentes partidos e representantes do Legislativo, que divergem quanto à pertinência e os impactos da possível anistia aos envolvidos nos eventos de janeiro de 2023. Este é um assunto que promete seguir gerando controvérsias e reflexões sobre os limites da democracia e do Estado de Direito.

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