CAMARA DOS DEPUTADOS –

CPMI do INSS Rejeita Relatório e Indiciamentos Polêmicos Marcam Última Sessão da Comissão

Na madrugada de sábado, 28 de março de 2026, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigava irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) concluiu seus trabalhos após uma votação acirrada que resultou na rejeição do relatório elaborado pelo deputado Alfredo Gaspar, do União de Alagoas. Com 19 votos contrários e 12 a favor, a decisão chegou após sete meses de atividade da comissão, que se encerraram sem uma análise do relatório paralelo proposto pelos governistas.

O extenso documento de Gaspar, que ultrapassa 4 mil páginas, trouxe à tona a existência de uma complexa trama envolvendo núcleos técnico, administrativo, financeiro, empresarial e político, movimentando bilhões de reais por meio de descontos indevidos em aposentadorias e pensões. O deputado afirmou que o esquema de descontos associativos e empréstimos consignados fraudulentos operou de forma impune, com a conivência ou a omissão de autoridades responsáveis por combater tais práticas dentro do INSS.

Um dos pontos mais controversos da investigação foi o pedido de indiciamento de 216 indivíduos, incluindo ex-dirigentes do INSS, ex-ministros e parlamentares, com destaque para o nome de Fábio Luiz Lula da Silva, filho do atual presidente, que foi mencionado devido a supostas ligações com um lobista central nas irregularidades.

Em contrapartida, o líder do governo na CPMI, deputado Paulo Pimenta, apresentou um relatório alternativo que visava 130 indiciamentos, implicando até mesmo o ex-presidente Jair Bolsonaro, apontado como líder da suposta organização criminosa. Durante as discussões, um clima acirrado tomou conta da sessão, com ataques pessoais entre parlamentares de diferentes vertentes, além de críticas à leniência do Supremo Tribunal Federal em relação a certas testemunhas e ao não acolhimento de prorrogações dos prazos de investigação.

O presidente da CPMI, Carlos Viana, assegurou que o relatório de Alfredo Gaspar será encaminhado a órgãos competentes, incluindo à Polícia Federal, e expressou confiança de que as investigações seguirão em andamento até que as responsabilidades sejam plenamente apuradas e os culpados, eventualmente, punidos. O fim da CPMI se deu sem que o Congresso ou o Supremo acatassem solicitações para prorrogação dos trabalhos, revelando um embate político profundo sobre as práticas da gestão anterior e as respostas do atual governo.

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