O relatório do deputado Moses Rodrigues (União-CE), relator do caso, apontou que os deputados envolvidos adotaram comportamentos incompatíveis com o decoro parlamentar em uma sessão realizada em agosto de 2025, onde reivindicaram a inclusão na pauta de um projeto de anistia direcionado a participantes dos eventos de 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. Na ocasião, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), encontrava-se incapacitado de assumir seu cargo devido à ocupação do espaço por esses parlamentares.
Rodrigues optou pelo aumento da pena de 30 para 60 dias, destacando a necessidade de uma resposta contundente da Câmara em relação a condutas que ameaçam a ordem e o respeito institucional. Pollon foi considerado responsável por ocupar a cadeira da Presidência da Câmara, obstruindo a volta de Motta ao seu posto, enquanto Van Hattem e Trovão também foram implicados por suas ações durante o episódio conturbado.
A defesa de Zé Trovão foi marcada por um forte apelo emocional. Ele lamentou a suspensão não apenas por si, mas pelo impacto direto sobre as cerca de 20 famílias de seus assessores. Em uma fala carregada de emoção, ele citou referências bíblicas e alarmou sobre uma suposta perseguição política. O advogado de Trovão argumentou que o registro de vídeos da sessão não mostrava irregularidades.
Van Hattem, por sua vez, reforçou a percepção de injustiça, comparando seu processo a uma forma de perseguição política semelhante a situações vividas por presos políticos, reafirmando sua disposição de agir da mesma forma em futuras ocasiões, caso necessário. Marcos Pollon criticou veementemente a recusa da presidência em debater a anistia, considerando a situação jurídica do Brasil um “estado de exceção”.
Os debates no conselho foram acalorados, com divergências ideológicas acentuadas. O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) manifesto preocupação com ofensas proferidas durante a discussão e apontou a ocupação como um ato de golpismo, enquanto o deputado Sargento Gonçalves (PL-RN) defendeu os acusados, insinuando que a punição poderia ser um instrumento para criminalizar a direita em um contexto que, segundo ele, já teria visto práticas semelhantes por parte da esquerda.
Esse episódio, que não apenas desnudou tensões internas no legislativo, mas também expôs divisões políticas profundas, promete continuar a repercutir na esfera política, com desdobramentos que poderão afetar o cenário nos próximos meses.







