O deputado Jorge Solla (PT-BA), responsável pelo requerimento da audiência, expressou preocupações sobre a produção nacional de medicamentos essenciais, que ainda se mostra insuficiente. Após um período de incertezas em relação ao financiamento de laboratórios públicos, a atual administração se comprometeu a reverter essa situação, reabastecendo os investimentos em saúde pública. Solla ressaltou que o objetivo da audiência é obter uma visão clara da situação atual das PDPs e identificar como o Legislativo pode ajudar nesse esforço vital para a autonomia brasileira na produção de medicamentos.
Durante a audiência, Igor Ferreira Bueno, diretor do Departamento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, destacou os progressos realizados desde 2023. A saúde foi integrada como uma missão dentro da iniciativa “Nova Indústria Brasil”. Entre os projetos em destaque estão a produção nacional de insulina glargina e a vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR) para gestantes, além de 31 novos projetos nas áreas de câncer, vacinas e doenças raras. Bueno explicou que as PDPs oferecem ao governo a possibilidade de adquirir produtos com transferência de tecnologia, sem a necessidade de licitação, ampliando o acesso da população a tratamentos essenciais.
A atuação da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) também foi abordada. João Miguel Estephanio, assessor da presidência da instituição, mencionou que a Fiocruz possui 26 PDPs em diferentes estágios e destacou a importância dessas parcerias para gerar empregos e inovação no Brasil. Um dos sucessos citados foi a erradicação da transmissão do HIV de mãe para filho.
A diretora-presidente da Bahiafarma, Ceuci de Lima Xavier Nunes, enfatizou a relevância da descentralização na produção de medicamentos, ressaltando os recentes avanços em biotecnologia aprovados para a Região Nordeste.
Nos debates, surgiram diversas sugestões, incluindo a criação de uma Estratégia Nacional de Saúde, investimentos em infraestrutura e a necessidade de garantir segurança jurídica para o setor. Luiz Biasi, presidente do conselho da Amovi Farma, destacou que o modelo brasileiro tem atraído investidores internacionais, anunciando planos para o início da construção de um parque fabril dedicado à produção de insumos ainda este ano.
O debate representa um passo significativo no esforço contínuo para fortalecer a saúde pública no Brasil, promovendo a inovação e a autocapacitação do país em um contexto global desafiador.
