CAMARA DOS DEPUTADOS – Comissão da Câmara Aprova Projeto de Lei que Limita Acesso a Antecedentes Criminais em Casos de Violência Doméstica Contra Mulheres

A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados tomou uma decisão significativa ao aprovar um projeto de lei que estabelece critérios específicos para a consulta de antecedentes criminais relacionados a violência doméstica e familiar contra a mulher. O foco da proposta é limitar o acesso às informações disponíveis em certidões criminais fornecidas pelo Poder Judiciário, restringindo-as apenas a condenações penais que já tenham transitado em julgado, ou seja, que não possam mais ser contestadas.

O projeto, que surgiu a partir da iniciativa da deputada Silvye Alves, foi reformulado pelo relator da proposta, o deputado Paulo Bilynskyj, que se posiciona como defensor da preservação dos direitos individuais, como a presunção de inocência. Segundo Bilynskyj, a intenção é evitar que informações que ainda não foram submetidas a um julgamento final sejam utilizadas de forma inapropriada, o que poderia afetar a integridade e os direitos das pessoas envolvidas. O texto proíbe a inclusão de dados sobre investigações em andamento, bem como registros e anotações policiais, garantindo que apenas informações definitivas sejam acessíveis.

Uma importante adição à proposta é a necessidade de que a emissão das certidões siga as diretrizes estabelecidas pela Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), reforçando a importância da privacidade das informações pessoais. Além disso, a medidas propõe que órgãos responsáveis realizem campanhas de conscientização para que mulheres em situação de vulnerabilidade saibam como acessar esses dados de forma segura e informada.

O projeto passou por alterações significativas em relação ao texto original, que permitia uma consulta mais ampla dos dados por instituições que defendem os direitos das mulheres. A justificativa do relator para essas modificações foi a necessidade de balancear a proteção da intimidade e dos dados pessoais com a urgência de garantir a segurança e a dignidade das mulheres. A proposta segue agora para análise nas comissões de Defesa dos Direitos da Mulher e de Constituição e Justiça, onde continuará sua trajetória legislativa antes de ser submetida ao voto dos deputados e senadores para ser transformada em lei.

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