CAMARA DOS DEPUTADOS – Câmara dos Deputados Propõe Atualizar Lei de Publicidade para Incluir Restrições sobre Cervejas em Audiência sobre Alcoolismo e Saúde Pública

Em uma audiência pública realizada nesta terça-feira, 5 de maio de 2026, a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados discutiu a necessidade de atualizar a Lei 9.294/96, que regulamenta a publicidade de bebidas alcoólicas. A legislação, que completou 30 anos, atualmente se aplica apenas a bebidas com teor alcoólico superior a 13%, como vinhos e destilados, deixando de fora um dos produtos mais consumidos pelos brasileiros: a cerveja. Especialistas e parlamentares enfatizaram a importância de incluir as cervejas nas restrições de publicidade, considerando seu impacto na saúde pública.

Os deputados já analisam propostas que visam estender essas limitações às cervejas. Entre os projetos discutidos, o PL 754/15 propõe a proibição de propagandas de bebidas alcoólicas e energéticas em rádio e televisão, enquanto o PL 1548/25 busca impor restrições ainda mais rigorosas à publicidade de cervejas na internet, além de exigir mensagens de advertência.

A deputada Erika Kokay (PT-DF), que sugeriu a audiência, destacou a urgência de retirar da publicidade elementos nocivos à saúde. Ela também anunciou sua intenção de propor a formação de uma subcomissão para tratar da atualização da lei. Especialistas que participaram da audiência ressaltaram que a indústria de bebidas tem se adaptado a novas estratégias de marketing, principalmente através da associação do consumo de cerveja a eventos esportivos, o que pode agravar o problema do alcoolismo, especialmente entre os jovens.

Luciana Sardinha, gerente da Vital Strategies, chamou a atenção para o fato de que 90% das bebidas alcoólicas consumidas no Brasil são cervejas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já alertou que qualquer nível de consumo de álcool está associado a riscos de saúde, cobrindo cerca de 200 doenças. Para ela, a publicidade atual tem se direcionado, de forma velada, aos consumidores mais jovens, o que agrava a situação.

Mayara Santos, coordenadora de prevenção da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, apresentou a importância de iniciativas voltadas à educação e conscientização sobre os riscos do consumo de álcool entre jovens. O programa “Cria: Prevenção e Cidadania”, lançado em 2024, visa fomentar habilidades socioemocionais em crianças, reforçando a necessidade de prevenção.

Além disso, os dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, realizada pelo IBGE, indicam que mais da metade dos adolescentes entre 13 e 17 anos já experimentaram bebidas alcoólicas. Essa realidade preocupante foi ressaltada por Laura Cury, coordenadora do projeto de álcool da ACT Promoção da Saúde, que lembrou que, com o advento das redes sociais e do marketing digital, é essencial que a legislação se atualize para lidar com essa nova dinâmica de comunicação.

Grazi Santoro, presidente da Associação Alcoolismo Feminino, compartilhou sua experiência pessoal, ressaltando a necessidade de informações e regulamentações mais eficazes para prevenir o consumo excessivo de álcool, especialmente entre os jovens. Por fim, a diretora do Departamento de Análise Epidemiológica do Ministério da Saúde, Letícia de Oliveira Cardoso, destacou que a tendência de consumo entre as mulheres tem aumentado, o que reflete mudanças significativas nas campanhas publicitárias voltadas a esse público. A audiência pública reafirmou a relevância de revisar e atualizar as legislações para proteger a saúde da população, especialmente a dos mais jovens.

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