CAMARA DOS DEPUTADOS – Câmara dos Deputados Discute Fim da Escala 6×1 e Reivindica Redução da Jornada de Trabalho para Promoção de Bem-Estar e Produtividade

No dia 5 de maio de 2026, a Câmara dos Deputados sediou uma sessão solene em celebração ao Dia do Trabalho, marcada pelo foco na discussão da jornada de trabalho e suas implicações para os trabalhadores brasileiros. Durante o evento, foi destaque a proposta de eliminação da escala 6×1, um tema que já está em análise na Casa por meio de duas propostas de emenda à Constituição: a PEC 221/19 e a PEC 8/25.

Luciana Nakamura, secretária-executiva adjunta do Ministério do Trabalho, apontou que a redução da carga horária pode resultar em ganhos significativos tanto na saúde mental dos trabalhadores quanto na produtividade. De acordo com Nakamura, essa mudança é uma etapa crucial para promover um ambiente de trabalho mais decente no Brasil.

Pelas vozes das deputadas, questões de gênero emergiram como um elemento central dessa discussão. A deputada Erika Kokay (PT-DF) enfatizou que a escala de 6×1 perpetua um ciclo de exaustão, especialmente para as mulheres, que muitas vezes são sobrecarregadas com responsabilidades domésticas, mesmo em seus dias de descanso garantidos por lei.

Outra importante contribuição veio da deputada Alice Portugal (PCdoB-BA), que criticou a visão arcaica de que a exaustão dos trabalhadores está vinculada à produtividade. Ela citou exemplos internacionais de países que implementaram jornadas de trabalho reduzidas, destacando que, ao fazer isso, não apenas evitaram crises econômicas, mas também viram aumento na produção.

Os deputados presentes, como Daniel Almeida (PCdoB-BA), também manifestaram suas opiniões contra jornadas longas, ressaltando a relação entre a saúde ocupacional e as horas trabalhadas. Almeida argumentou que o equilíbrio entre novas tecnologias e carga de trabalho deve ser priorizado, em vez de se perpetuar a ideia de que mais horas resulta em maior produção.

O debate ainda abrangeu a história do salário mínimo no Brasil, lembrando seus 90 anos de existência e reconhecendo sua importância na luta contra a pobreza. Nakamura sublinhou o desafio representado pela informalidade no mercado de trabalho, onde quase 40 milhões de trabalhadores não têm acesso mesmo ao salário mínimo.

Além dessas pautas, foram discutidos outros temas relevantes, como a equidade salarial entre homens e mulheres e a necessidade de reverter danos causados pela reforma trabalhista de 2017, que, segundo muitos deputados, cerceou direitos fundamentais e enfraqueceu a atuação dos sindicatos. A presidente da Contag, Vânia Marques, reforçou a importância de reaver conquistas e melhoras nas condições de trabalho, sublinhando a relevância do dia em reafirmar a luta por direitos trabalhistas efetivos e justos.

Sair da versão mobile