Durante a reunião, integrantes da Comissão de Agricultura destacaram a ameaçadora concorrência gerada pela importação de leite em pó, especialmente proveniente de países do Mercosul. Apontou-se que essa prática compromete os preços da produção local, sendo considerada injusta e desleal pelos participantes do debate. O deputado Welter, autor do Projeto de Lei 431/26, defendeu a iniciativa que busca financiar ações voltadas para a estabilização econômica dos agricultores e a promoção de um desenvolvimento sustentável no setor.
O deputado Luis Corti, do Paraná, enfatizou a crise enfrentada por seu estado, o segundo maior produtor de leite do Brasil, que já perdeu 40% de seus produtores. Corti criticou a entrada de leite em pó importado, que muitas vezes chega ao Brasil em condições inadequadas, apresentando riscos à saúde pública, e reforçou a necessidade de estabelecer regulações mais rigorosas para proteger a produção nacional.
Além do fundo, outro projeto em discussão é a criação do Instituto Nacional do Leite, que pretende planejar e organizar a cadeia produtiva. Vânia Marques Pinto, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), sustentou que é fundamental implementar mecanismos que garantam a subsistência dos agricultores familiares, cujas produções estão ameaçadas.
Com o intuito de estruturar uma política nacional eficaz para o leite, o deputado Welter também destacou a importância de um debate contínuo sobre o setor, que é vital para a economia rural do país. Outras propostas relevantes incluem um Projeto de Lei Complementar que visa proibir incentivos fiscais a empresas que utilizem leite em pó ou derivados importados.
As discussões refletem uma preocupação crescente acerca da saúde financeira do setor leiteiro brasileiro, que, segundo especialistas, pode enfrentar desafios ainda maiores se não forem adotadas medidas preventivas e regulatórias. De acordo com dados apresentados, existem 1.200 cooperativas agropecuárias no país, das quais 150 são dedicadas à produção de leite, respondendo por mais de 50% da produção nacional.
Conforme o diretor do Departamento de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, é essencial que haja uma colaboração eficiente entre as instituições de pesquisa e as atividades de extensão rural para garantir inovações e melhorias na produtividade do leite, fundamentando um futuro mais promissor para a cadeia produtiva.





