CAMARA DOS DEPUTADOS – Câmara dos Deputados Aprova Redução de Tributos sobre Combustíveis e Proteção ao Setor de Biocombustíveis em Meio ao Conflito no Oriente Médio

Na última quarta-feira, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que visa a redução de alíquotas de tributos federais sobre a importação, produção e comercialização de combustíveis como óleo diesel rodoviário, biodiesel, gasolina, etanol e querosene de aviação. A votação resultou em 318 a favor, 113 contra e uma abstenção. O texto, apresentado pela relatora Marussa Boldrin, do Partido Republicanos de Goiás, segue agora para o Senado para novas deliberações.

A proposta, que faz parte do Projeto de Lei Complementar 114/26, originalmente sugerido pelo deputado Paulo Pimenta (PT-RS), traz consigo um compromisso de compensar a perda de arrecadação por meio do aumento de receitas no setor de combustíveis, especialmente em decorrência do conflito geopolítico entre Irã e Estados Unidos iniciado em fevereiro deste ano.

Durante a discussão, a relatora enfatizou a importância de proteger os produtores de biocombustíveis e a competitividade do setor agrícola do país. “Reduzir a carga de combustíveis fósseis sem cuidar adequadamente do biocombustível significaria enfraquecer uma cadeia produtiva capaz de gerar emprego e renda”, destacou Marussa Boldrin.

O presidente da Câmara, Hugo Motta, elogiou o relatório e a abordagem que, segundo ele, irá evitar um aumento nos preços dos combustíveis e na inflação, especialmente em um momento de incertezas no cenário internacional. O texto incorpora também medidas que favorecem a competitividade do setor agrícola, com destaque para a criação de subsídios para a produção de etanol.

Entre as alterações, uma das mais relevantes determina que qualquer redução tributária sobre combustíveis fósseis deve garantir a diferenciação competitiva em favor dos biocombustíveis, de modo a preservar o equilíbrio de preços entre o etanol e a gasolina. Se a alíquota federal da gasolina for reduzida em 30% ou mais, as alíquotas do etanol cairão a zero. Este movimento é acompanhado pela promessa de uma subvenção de R$ 1,2 bilhão aos produtores de etanol hidratado este ano para manter essa diferenciação.

Além disso, o projeto contempla medidas que visam apoiar os produtores rurais, reduzindo o limite de receita com exportação para a suspensão do pagamento do IBS e da CBS. Há ainda a previsão para a União conceder até R$ 5 bilhões em créditos fiscais entre 2027 e 2031, incentivando a produção de fertilizantes e bioinsumos.

Entretanto, a proposta também gerou controvérsias, especialmente no que se refere ao incentivo fiscal à Fifa para a realização da Copa do Mundo de Futebol Feminino em 2027. Alguns críticos, como o deputado Glauber Braga, lamentaram que recursos que poderiam ser direcionados para saúde e educação estejam sendo aproveitados para beneficiar uma entidade esportiva.

O debate continua, e as próximas etapas no Senado serão cruciais para definir o futuro da legislação e seus impactos na economia e na sociedade brasileiras.

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