CAMARA DOS DEPUTADOS – Câmara dos Deputados aprova projeto que torna obrigatória notificação de casos de maus-tratos a crianças por profissionais de saúde.

A Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados tomou uma medida significativa em sua última sessão ao aprovar, no mês de dezembro, um projeto de lei que altera o protocolo de notificação de casos de maus-tratos envolvendo crianças e adolescentes. A nova norma visa estabelecer um mecanismo mais rigoroso para que profissionais de saúde reportem situações de violência ou negligência, mesmo quando disfarçadas como acidentes.

Atualmente, o procedimento para a notificação desses casos depende da interpretação individual do médico que atende a criança ou adolescente. Com a nova proposta, o Sistema Único de Saúde (SUS) será encarregado de definir critérios objetivos, como tipos específicos de lesões, que indicarão a obrigatoriedade de comunicação ao Conselho Tutelar, independentemente da avaliação subjetiva do médico.

A relatora do projeto, deputada Rogéria Santos, do partido Republicanos da Bahia, apresentou um substitutivo ao Projeto de Lei 4325/25, que foi inicialmente formulado pela deputada Laura Carneiro, do PSD do Rio de Janeiro. A proposta original visava utilizar notificações de acidentes, como quedas e queimaduras, para fins estatísticos relacionados a prevenção. No entanto, Rogéria argumentou que essa abordagem poderia sobrecarregar o sistema de saúde sem efetivamente contribuir para o objetivo de proteção.

A relatora enfatizou que a função do Estado é identificar casos de violência e negligência que possam ser ocultados sob o manto de eventos acidentais. “Não se trata de monitorar todos os acidentes, mas sim aqueles que possam sugerir a ocorrência de maus-tratos”, afirmou Rogéria, destacando a urgência de um olhar mais atento sobre essas situações.

Adicionalmente, a proposta também reformula o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), assegurando que todas as informações relacionadas às notificações e os prontuários de atendimento permaneçam em sigilo, a fim de proteger a privacidade das famílias envolvidas.

O projeto ainda seguirá para análise pelas comissões de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família, além de Constituição, Justiça e Cidadania, antes de ser submetido à votação na Câmara e no Senado para a sua possível sanção e transformação em lei. Essa medida busca não apenas fortalecer a rede de proteção às crianças e adolescentes, mas também garantir um sistema de saúde que responda de forma mais eficaz a situações de vulnerabilidade.

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