CAMARA DOS DEPUTADOS – Câmara dos Deputados Aprova Projeto que Restringe Desfazimento de Decisões Judiciais Favoráveis a Contribuintes em Caso de Mudança no STF

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados deu um passo significativo na proteção dos direitos dos contribuintes ao aprovar um projeto de lei que regula a desconstituição de decisões judiciais favoráveis a estes. Sob a relatoria da deputada Julia Zanatta, a proposta estabelece que tais decisões somente poderão ser revertidas através de uma ação rescisória, especialmente quando forem contrárias a interpretações posteriores do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a constitucionalidade de tributos.

A ação rescisória é um recurso legal que permite a anulação de decisões judiciárias que não cabem mais a novos recursos. De acordo com o Código de Processo Civil (CPC), o prazo para a interposição dessa ação é de dois anos, contados a partir do momento em que a decisão judicial se torna definitiva, conhecendo-se esse momento como o trânsito em julgado. Com a nova legislação, o prazo estabelecido para o início da contagem começará na data de publicação da decisão do STF que declara a constitucionalidade da norma tributária em questão.

Esse projeto tramita na Câmara dos Deputados com um caráter conclusivo. Isso significa que, uma vez aprovado nas comissões sem recurso para análise no Plenário, poderá seguir diretamente para o Senado. A nova redação que foi aprovada unificou diversas propostas, sendo uma versão consolidada do Projeto de Lei 580/23, que contava com a colaboração de outros deputados de diferentes partidos. O substitutivo apresentado pela relatora traz modificações ao CPC e a outras leis relacionadas ao controle de constitucionalidade, adicionando uma nova camada de proteção aos direitos dos contribuintes.

Zanatta enfatizou que é crucial proteger aqueles que já foram beneficiados por decisões judiciais. A relatora argumentou que um contribuinte que obteve uma tutela jurisdicional favorável não deve ser surpreendido por cobranças tributárias decorrentes de decisões novas do STF, principalmente sem a oportunidade de se defender adequadamente. Atualmente, a jurisprudência do STF permite a cobrança de tributos mesmo de contribuintes que já tiveram decisões favoráveis, desde que exista uma nova decisão da Corte em situações de controle concentrado ou em recursos de repercussão geral.

Assim, a aprovação desse projeto marca um avanço importante na defesa dos direitos de contribuintes e no fortalecimento da segurança jurídica no país.

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