O Projeto de Lei 4768/16, oriundo do Senado, determina que os direitos autorais devem ser garantidos após cada apresentação. Além disso, o texto oferece a possibilidade de matricular os filhos de dançarinos em escolas públicas e particulares, facilitando a acesso à educação para aqueles que exercem atividades itinerantes. A matrícula, nestes casos, é condicionada à apresentação de um certificado da escola de origem.
A regulamentação também definiu quais profissionais estão aptos a atuar como dançarinos: aqueles que possuam diplomas de cursos de nível superior ou técnico em dança, reconhecidos conforme as leis vigentes. Os diplomas obtidos em instituições estrangeiras poderão ser aceitos, desde que revalidados. Aqueles que já atuam no setor, na data da publicação da nova lei, poderão continuar exercendo suas atividades sem impedimentos.
Diversas funções foram descritas como parte do escopo profissional, abrangendo coreógrafos, diretores de dança, professores e críticos. Os profissionais da dança terão a liberdade de planejar, coordenar e supervisionar trabalhos, mantendo a capacidade de prestar consultoria na área.
O projeto ainda estabelece diretrizes claras para a formalização dos contratos de trabalho, assegurando que cláusulas de exclusividade não impeçam o dançarino de aceitar outras oportunidades, desde que não prejudique o contratante. Em casos de deslocamento para trabalho em diferentes municípios, a responsabilidade por despesas como transporte e hospedagem será do empregador.
Outros pontos destacados incluem a liberdade criativa do profissional, a obrigação do empregador em fornecer o material necessário para o desempenho das atividades, e a impossibilidade de que sejam forçados a atuar em situações que coloquem em risco sua integridade física ou moral.
Durante o debate em plenário, a deputada Lídice da Mata, relatora do projeto, ressaltou a importância da regulamentação para a categoria. Outros parlamentares, como Tarcísio Motta e Ana Pimentel, reforçaram a necessidade dessa estrutura para garantir os direitos dos dançarinos, enquanto outros, como Kim Kataguiri, levantaram preocupações sobre a criação de conselhos de classe e a possibilidade de taxas para os profissionais.
A discussão continua a refletir as tensões entre a busca por reconhecimento e a preservação da independência profissional, em um setor cultural que é vital para a identidade e a diversidade do Brasil.
