CAMARA DOS DEPUTADOS – Câmara dos Deputados Aprova Projeto que Registra Crimes Homotransfóbicos nas Estatísticas da Segurança Pública Brasileira

Em um passo significativo para a proteção dos direitos da comunidade LGBTQIAPN+, a Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que visa garantir o registro e o tratamento adequado de crimes de homotransfobia nos sistemas de segurança pública no Brasil. A proposta estabelece novas diretrizes que incluem a inclusão de campos específicos nos boletins de ocorrência, onde as vítimas poderão declarar informações sobre sua orientação sexual, identidade de gênero, nome social e características raciais.

Um dos pontos fundamentais dessa proposta é a necessidade de que a autoridade policial adicione um parecer detalhado na investigação, avaliando a motivação homotransfóbica que pode ter influenciado o crime. Essa abordagem visa combater a invisibilidade das violências enfrentadas pela população LGBTQIAPN+. O relator do projeto, deputado Tarcísio Motta, do PSOL do Rio de Janeiro, enfatizou a importância dessa medida como parte de uma nova política pública que permitirá não apenas o monitoramento desses casos de violência, mas também a possibilidade de formular ações estaduais de enfrentamento.

O projeto é um substitutivo ao texto original apresentado pela deputada Erika Hilton, também do PSOL, e incorporou sugestões da Comissão de Segurança Pública. Motta destacou que, até o momento, crimes motivados por homofobia e transfobia têm sido registrados como crimes de racismo, seguindo uma decisão do Supremo Tribunal Federal de 2019, o que evidenciou uma lacuna importante na documentação desses casos.

Além das novas medidas de registro, a proposta também inclui a obrigatoriedade de capacitação contínua para agentes de segurança pública. O objetivo é assegurar que todos os procedimentos sejam aplicados corretamente. Para garantir a conscientização, as delegacias deverão expor cartazes com definições de “orientação sexual”, “identidade de gênero” e “nome social”, criando um ambiente mais acolhedor para as vítimas.

Atualmente, o projeto ainda deve passar pela análise da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania e, para se tornar lei, precisa da aprovação tanto na Câmara quanto no Senado. Dessa forma, a iniciativa representa um avanço significativo na luta contra a violência e a discriminação, reforçando a necessidade de reconhecimento e proteção dos direitos das minorias no país.

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