CAMARA DOS DEPUTADOS – Câmara dos Deputados Aprova Projeto que Permite Uso de Indumentária Tradicional em Documentos de Identidade para Povos Indígenas e Tradicionais

Câmara dos Deputados Aprova Projeto que Garante Uso de Indumentárias Tradicionais em Documentos Oficiais

Em uma votação significativa, a Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira, um projeto de lei que garante a povos indígenas e comunidades tradicionais o direito de utilizar fotografias acompanhadas de indumentária típica em documentos de identificação oficiais. A proposta, que agora segue para o Senado, representa um passo importante na luta pela valorização da diversidade cultural no Brasil.

A relatora do projeto, a deputada Sônia Guajajara, membro do PSOL de São Paulo, destacou os benefícios da nova legislação, ao afirmar que as alterações têm o potencial de mitigar casos de discriminação durante a emissão de documentos. O projeto, que é uma versão adaptada do texto original apresentado pela deputada Célia Xakriabá, do PSOL de Minas Gerais, visa assegurar que elementos tradicionais, como cocares e turbantes, possam ser incorporados às fotos em documentos como carteiras de identidade, de motorista, de trabalho, Previdência Social e passaportes, desde que a fisionomia do indivíduo seja reconhecível.

A proposta busca integrar a identidade cultural às fotografias, permitindo que a expressão de pertencimento a uma comunidade ou tradição seja refletida nos documentos oficiais, respeitando a pluralidade cultural assegurada pela Constituição. Segundo Sônia Guajajara, é fundamental que haja uma norma legal que possibilite essa adequação, citando um caso particularmente emblemático de uma estilista candomblecista que enfrentou constrangimento ao ser obrigada a remover seu turbante ao solicitar a segunda via da carteira de habilitação.

Os debates em torno da proposta não foram unânimes. Embora muitos parlamentares tenham elogiado a medida por promover o respeito à cultura brasileira, alguns, como o deputado Lafayette de Andrada, expressaram preocupações sobre a eficácia da identificação civil, argumentando que a presença de adornos poderia dificultar o reconhecimento facial. O deputado Sargento Gonçalves também questionou a viabilidade do uso de indumentária indígena em passaportes.

Por outro lado, a coordenadora da bancada negra, Benedita da Silva, enfatizou a importância histórico-cultural da proposta, destacando que o Brasil deveria avançar em termos de reconhecimento identitário e formas de identificação. A aprovação desta legislação é vista como uma reafirmação do direito à liberdade religiosa e da dignidade de povos tradicionais, refletindo um avanço na busca por justiça social e igualdade no país.

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