CAMARA DOS DEPUTADOS – Câmara dos Deputados Aprova Política Nacional para Incentivar Produção de Alimentos Alternativos a Pessoas com Alergias e Intolerâncias Alimentares

Câmara dos Deputados Aprova Política Nacional de Alimentos Alternativos

Na última sessão do ano de 2025, a Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara dos Deputados deu um passo importante ao aprovar uma proposta que institui a Política Nacional de Incentivo à Produção, Comercialização e Consumo de Alimentos Alternativos, especialmente voltada para pessoas que sofrem de alergias alimentares, intolerâncias ou hipersensibilidades. O propósito central dessa política é fomentar a produção e a adoção de alimentos substitutos, que sejam elaborados a partir de insumos naturais ou que passam por um processamento mínimo.

O texto da proposta caracteriza alergias alimentares como a dificuldade em processar substâncias reconhecidas como alergênicas, incluindo itens comuns como glúten, lactose, soja e ovos. Caberá ao governo federal regulamentar a lista de substâncias que se encaixam nessa categoria, definindo, assim, parâmetros claros para a adoção da nova política.

Para incentivar o setor alimentício, a proposta elenca diversas estratégias que visam facilitar a implantação da Política Nacional, incluindo:

  • Oferecimento de incentivos fiscais e linhas de crédito diferenciadas para os produtores.
  • Criação de uma certificação pública nacional que identifique esses produtos no mercado.
  • Apoio e estímulo à pesquisa e inovação tecnológica na área de alimentos.
  • Inclusão de alimentos alternativos em programas federais que já contemplam a desoneração tributária.
  • Prioridade nas compras governamentais, especialmente em programas de alimentação escolar, desde que haja disponibilidade.

O projeto, que recebeu apoio do deputado Zé Neto (PT-BA), relator da matéria, passou por uma alteração significativa: a substituição do termo “produtos naturais alternativos” por “alimentos alternativos”. O relator argumentou que a configuração original poderia restringir a política a insumos não industrializados, o que não se coaduna com a realidade das formulações necessárias para atender às características alimentares de pessoas com restrições.

Além disso, o texto prevê que o governo monitorará as importações de alimentos alternativos. Se forem identificados casos de dumping — prática comercial desleal que implica na venda a preços inferiores ao normal em seu país de origem — as leis de defesa comercial serão aplicadas.

Para seguir adiante, o projeto ainda precisará passar por outras comissões, incluindo as de Saúde; Finanças e Tributação; e Constituição e Justiça e de Cidadania, em caráter conclusivo. A aprovação final pela Câmara e pelo Senado é um passo necessário para a transformação da proposta em lei eficaz, que poderá beneficiar um público significativo no país e promover um ambiente mais inclusivo para dietas especiais.

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