CAMARA DOS DEPUTADOS – Câmara dos Deputados aprova lei que torna obrigatória a notificação de maus-tratos a crianças e adolescentes por profissionais de saúde.

No dia 26 de março de 2026, a Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família da Câmara dos Deputados deu um passo significativo na proteção de crianças e adolescentes ao aprovar uma proposta que torna obrigatória a notificação de casos suspeitos ou confirmados de maus-tratos por profissionais de saúde. Essa iniciativa pretende não apenas intensificar a vigilância sobre a saúde infantil, mas também estabelecer critérios mais claros e objetivos para a comunicação de abusos, superando a avaliação subjetiva que atualmente rege o processo.

Com o novo projeto, será o Sistema Único de Saúde (SUS) que definirá os parâmetros específicos para identificar situações que exigem a notificação às autoridades competentes. Isso significa que os profissionais de saúde não precisarão mais interpretar as lesões, pois a proposta detalha quais tipos de ferimentos devem ser reportados ao conselho tutelar. A relatora do projeto, a deputada Rogéria Santos, destacou a importância dessa medida, afirmando que a fixação de situações claras na legislação oferecerá maior segurança para os profissionais durante o atendimento, além de mitigar a possibilidade de erros de interpretação sobre a intenção por trás de determinados ferimentos.

A proposta inicial, apresentada pela deputada Laura Carneiro, visava coletar dados sobre acidentes para gerar estatísticas de prevenção, mas a relatora argumentou que essa abordagem poderia sobrecarregar o sistema de saúde sem proporcionar o efeito desejado em termos de eficácia. Em sua análise, Rogéria Santos enfatizou que cabe ao Estado detectar casos de violência ou negligência que se disfarçam como acidentes, reforçando a necessidade urgente de um mecanismo de notificação mais eficiente.

Adicionalmente, o texto aprovado introduz mudanças no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), assegurando que todas as informações relacionadas às notificações, assim como prontuários e registros de atendimento, sejam mantidos em sigilo, protegendo a privacidade das famílias envolvidas.

Agora, o projeto segue seu trâmite no Congresso e será submetido à análise da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para se tornar lei, ainda requer a aprovação nas duas casas do Legislativo. As próximas etapas são fundamentais para o fortalecimento da proteção aos direitos das crianças e adolescentes em todo o país.

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