CAMARA DOS DEPUTADOS – Câmara dos Deputados analisa projeto de lei para proteção abrangente do Pantanal

Câmara dos Deputados Analisa Projeto para Proteção do Pantanal

Em um esforço para proteger um dos biomas mais icônicos do Brasil, o Projeto de Lei 2334/24, de autoria da deputada Camila Jara (PT-MS), encontra-se em análise na Câmara dos Deputados. A proposta visa instituir normas gerais de proteção e conservação do Pantanal, unificando as legislações estaduais de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Camila Jara destaca a urgência de garantir que as populações indígenas, comunidades ribeirinhas, quilombolas e tradicionais sejam respeitadas. "Devemos direcionar esforços para a necessidade urgente de garantir que essas populações sejam respeitadas", afirma a parlamentar, lembrando que o bioma sofreu impactos devastadores nas últimas décadas. Exemplificando, ela mencionou os incêndios florestais de 2020, que consumiram mais de 26% do território, afetando um número colossal de vertebrados e invertebrados, conforme dados do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

O projeto delimita o bioma pela bacia hidrográfica do Rio Paraguai, estabelecendo diretrizes e objetivos para a proteção, restauração e uso sustentável do ecossistema. Reconhecido como a maior planície de inundação contínua do planeta e declarado Reserva da Biosfera pela Unesco, o Pantanal é um ecossistema de importância global.

Para promover o desenvolvimento sustentável da região, a proposta contempla a perspectiva das populações tradicionais e setores produtivos. Inclui diretrizes para a formulação de um zoneamento ecológico-econômico, abrangendo a regularização fundiária, a criação de unidades de conservação com meta de preservação de 30% para o ambiente terrestre e o reconhecimento dos direitos territoriais das comunidades tradicionais e povos indígenas. Além disso, propõe a organização de polos industriais não poluidores e de bioeconomia.

O texto também estabelece medidas para prevenir e controlar o desmatamento e sugere a criação de um programa de compensação de reserva legal, em colaboração com o Poder Executivo federal e estadual, visando fomentar a criação de corredores de biodiversidade.

Entre as proibições determinadas pelo projeto estão a construção de intervenções que impeçam o fluxo das águas, o cultivo de espécies exóticas de peixes, o plantio de cana-de-açúcar e o licenciamento ambiental de empreendimentos hidrelétricos nas áreas restritas, exceto em casos de utilidade pública. O texto ainda aborda diretrizes para vias de transporte, mineração, manejo do fogo e incentivo ao turismo sustentável, além de criar o Selo de Sustentabilidade do Pantanal, para reconhecer ações de desenvolvimento sustentável, e fortalecer as penalidades para violações ambientais.

Com um caráter conclusivo, o projeto será analisado pelas comissões da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais, de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, de Finanças e Tributação, e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para transformar-se em lei, a proposta precisa ser aprovada tanto pela Câmara dos Deputados quanto pelo Senado.

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