CAMARA DOS DEPUTADOS – Câmara Debate Criação de Lei Contra Misoginia em Meio ao Crescente Feminicídio no Brasil

Na quarta-feira, 8 de abril de 2026, a Câmara dos Deputados promoveu uma comissão geral com foco em um tema alarmante: o feminicídio e a necessidade de criminalização da misoginia no Brasil. A proposta de lei, conhecida como PL 896/23, já passou pelo Senado e aguarda votação na Câmara. Durante o encontro, a ministra da Mulher e diversas deputadas ressaltaram que, apesar do Brasil possuir uma das legislações mais avançadas em relação à violência contra a mulher, os números ainda são preocupantes, com cerca de quatro assassinatos diários por motivos de gênero.

A deputada Delegada Katarina, 3ª Secretária da Mesa Diretora, enfatizou a urgência da aprovação do projeto. Em sua fala, ela destacou que, embora existam legislações robustas como a Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio, a eficácia na prática ainda é falha. “É imprescindível avançar na tipificação de novas condutas, como a misoginia, para que possamos enfrentar essa problemática de forma mais eficaz”, declarou, alertando sobre a naturalização de comportamentos misóginos.

Socorro Neri, também deputada, reforçou a gravidade da misoginia, classificando-a como uma manifestação do ódio e da discriminação contra as mulheres. Já Laura Carneiro propôs o início de um diálogo na Câmara para encontrar um texto que possa gerar consenso e assim facilitar a aprovação do projeto.

Outro destaque da audiência foi a deputada Maria do Rosário, que sugeriu que as políticas de combate à violência contra a mulher sejam integradas entre os diferentes níveis de governo, enfatizando que não é suficiente tratar esse problema de forma fragmentada. Ela propôs a ampliação do Fundo Nacional de Segurança Pública para garantir mais recursos no enfrentamento da violência de gênero.

A deputada Fernanda Melchionna lembrou que o reconhecimento do feminicídio como um tema urgente poderia liberar recursos sem as restrições habituais das regras fiscais. Lídice da Mata também destacou números alarmantes, observando que entre 2015 e 2025, o Brasil registrou 13.703 casos de feminicídio, com uma maioria significativa entre mulheres negras.

A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, elogiou a atuação do Congresso em diversas áreas, inclusive no combate à violência infantil. Ela ressaltou que o governo está comprometido com a educação contra a violência de gênero nas escolas e mencionou a assinatura do Pacto Nacional Contra o Feminicídio entre os três Poderes da República. Por fim, algumas convidadas relataram falhas no sistema judicial em garantir medidas protetivas, evidenciando a necessidade urgente de reformas nesse setor.

O debate deixou claro que, mesmo com uma legislação avançada, a sociedade ainda enfrenta sérios desafios na proteção das mulheres, sendo necessário um movimento concertado entre os poderes e a sociedade civil para reverter essa triste realidade.

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