CAMARA DOS DEPUTADOS – Câmara aprova projeto que permite participação da iniciativa privada na gestão administrativa de presídios, com possibilidade de descontos na remuneração dos detentos.

Em uma recente deliberação, a Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados deu um passo significativo ao aprovar um projeto de lei que propõe mudanças na Lei de Execução Penal. Este projeto, já discutido em dezembro, busca abrir espaço para que empresas privadas possam participar da gestão administrativa de presídios por meio de parcerias público-privadas (PPP).

As empresas poderão atuar principalmente em áreas fundamentais como saúde, educação e atividades recreativas para os detentos, com a proposta visando melhorar as condições de vida dentro das instituições prisionais. Os serviços que poderão ser delegados à iniciativa privada incluem, entre outros, alimentação, vestuário e assistência médica. Um ponto importante da proposta é a possibilidade de descontar até 30% da remuneração dos presos que trabalham, destinando essa quantia para cobrir despesas relacionadas a essas parcerias.

A iniciativa veio na forma de um substitutivo do relator, o deputado Delegado Paulo Bilynskyj, que apresentou uma versão revisada do Projeto de Lei 3123/12, do deputado Alexandre Leite, que já incluía propostas de parcerias com empresas para a construção e gestão de presídios. Contudo, o novo texto se concentrará em ajustes mais sutis, reforçando a execução indireta dos serviços e definindo claramente os limites da atuação das empresas privadas. O relator destacou que essas alterações são essenciais para melhorar a administração das instituições e garantem que a segurança e disciplina permaneçam nas mãos do Estado.

Atualmente, a legislação vigente já permite que certas atividades dentro das prisões sejam realizadas por terceiros, como a manutenção das instalações, serviços de limpeza e outros mais. Assim, a nova proposta complementa esses serviços, almejando uma gestão mais eficiente e humanizada das unidades prisionais.

A partir deste ponto, o projeto seguirá para análise na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, antes de ser submetido ao Plenário para votação. Para que essa mudança se torne realidade, ainda será necessária a aprovação tanto da Câmara quanto do Senado. Com esta iniciativa, busca-se não apenas modernizar o sistema prisional, mas também criar um ambiente mais propício para a ressocialização dos detentos, abrindo caminho para novas oportunidades em um cenário onde a segurança pública e a reintegração social são temas cada vez mais urgentes.

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