O deputado Junio Amaral, relator da proposta, sugere alterações que, segundo ele, tornam a legislação “mais coerente e eficiente”. O texto, que inicialmente previa a inserção do tema da violência contra a mulher nos currículos escolares, sofreu modificações e excluiu essa parte. Além disso, foi retirado um dispositivo que previa a participação do Conselho dos Direitos da Mulher na elaboração e fiscalização de políticas públicas relacionadas à proteção das mulheres.
Uma das inovações da proposta aprovada é a possibilidade de que as medidas de proteção emitidas pela Justiça sejam realizadas em horários não convencionais, incluindo noites, feriados e fins de semana. Isso busca garantir uma resposta mais ágil e efetiva às situações de risco, permitindo que as vítimas sintam-se mais seguras.
O projeto também traz à tona a questão da integração de dados: o Ministério da Justiça e Segurança Pública terá a missão de coordenar, em colaboração com estados, municípios e o Distrito Federal, a coleta e divulgação de estatísticas relacionadas à aplicação da Lei Maria da Penha. A ideia é centralizar as informações em uma base nacional de dados, acessível em formato aberto, o que facilitará a transparência e a análise da eficácia das políticas públicas.
Além disso, o Ministério Público será responsável por divulgar estatísticas sobre sua atuação nos casos de violência doméstica e familiar contra as mulheres, incluindo detalhes por comarca e as medidas adotadas em cada caso.
A proposta agora segue para apreciação da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e, posteriormente, será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania antes de ser submetida à votação na Câmara e, se aprovada, ao Senado. A expectativa é de que estas mudanças possam aprimorar a resposta das instituições frente à violência contra a mulher, um tema que continua a exigir atenção e ação efetiva no país.
