Suspensão da Expansão de Cursos de Medicina: Projeto de Lei em Análise na Câmara
Em uma tentativa de regular a qualidade na formação de médicos no Brasil, a Câmara dos Deputados busca implementar uma moratória de cinco anos na abertura de novos cursos privados de medicina. O Projeto de Lei 1165/26, que está atualmente em análise, visa também restringir a ampliação de vagas nas graduações já existentes.
Durante esse período de avaliação, o governo federal terá a responsabilidade de supervisionar instituições com desempenho insatisfatório nos exames de avaliação, especificamente o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). Essa supervisão inclui a realização de inspeções presenciais e a necessidade de reestruturação dos cursos considerados deficientes.
Um dos pontos importantes deste projeto é que, ao final do período de cinco anos, a autorização para a abertura de novos cursos e vagas dependerá de uma seleção pública realizada pelo governo, alinhada às demandas do mercado. Essa limitação, no entanto, não se aplica a instituições públicas que comprovarem atender aos padrões mínimos de qualidade estabelecidos pela proposta.
Para assegurar a qualidade da educação médica, o projeto define critérios mínimos de avaliação, os quais abrangem desde a existência de uma rede assistencial para a formação prática dos estudantes até a qualificação adequada dos professores. Recursos como laboratórios e estruturas de simulação para o ensino também são exigidos, além de uma integração efetiva com o Sistema Único de Saúde (SUS), que deve ser pactuada com gestores municipais e estaduais.
O autor da proposta, o deputado Dr. Luiz Ovando, defende que a moratória é essencial para interromper a expansão desordenada e realinhar a formação médica às necessidades da segurança da população. Segundo dados do Enamed de 2025, 99 cursos de medicina obtiveram resultados insatisfatórios, justificando a necessidade de intervenção.
Para aqueles cursos que já demonstram desempenho abaixo do ideal, o projeto propõe medidas como a proibição de novas vagas e a redução gradual do número de alunos, além da exigência de um plano de reestruturação. Em casos de reincidência nos problemas, procedimentos rigorosos podem levar ao descredenciamento progressivo das instituições.
Atualmente, a proposta tramita por um caráter conclusivo, sendo analisada pelas comissões de Educação, Saúde, e Constituição e Justiça. Para que se torne lei, será necessário o aval tanto da Câmara dos Deputados quanto do Senado. Com essas medidas, espera-se que a qualidade na formação médica no Brasil seja significativamente aprimorada nos próximos anos.
