Câmara dos Deputados aprova PEC que estabelece piso de 1% da receita para assistência social, com impacto fiscal de R$ 4,5 bilhões ao governo.

Nesta quarta-feira, dia 8 de abril, a Câmara dos Deputados deu um passo significativo ao aprovar, em primeiro turno, uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece um novo mínimo de investimentos na assistência social do Brasil. Essa iniciativa, que promete um impacto financeiro de aproximadamente R$ 4,5 bilhões para o governo, visa fortalecer o Sistema Único de Assistência Social (Suas) por meio da destinação de pelo menos 1% da Receita Corrente Líquida (RCL).

A proposta, que ainda precisa passar por uma segunda votação na Câmara, tem a análise agendada para a próxima semana. Caso receba aval, será submetida ao Senado para mais discussões. Se aprovada em ambas as Casas, a medida representará um importante avanço na garantia de recursos para políticas sociais, especialmente em um momento em que a necessidade de apoio social se intensifica.

Entre os principais pontos da PEC, está a definição clara sobre quais recursos serão considerados para esse investimento mínimo. As ações que terão financiamento garantido incluem apenas aquelas de proteção social básica e especial, excluindo benefícios como o Benefício de Prestação Continuada (BPC), programas como o Bolsa Família e benefícios eventuais. Essa delimitação busca otimizar os gastos e garantir que os recursos sejam aplicados onde são mais necessários.

Outra inovação da proposta diz respeito à descentralização dos fundos. Os recursos da União não ficarão apenas no âmbito federal; serão distribuídos entre estados e municípios, que são responsáveis pela implementação efetiva das políticas sociais. Para isso, o governo federal poderá reter até 2% dos fundos para gestão, com o intuito de assegurar uma administração mais eficiente.

A implementação do novo piso será gradual, conforme uma regra de transição proposta pelo governo. Nos próximos anos, os percentuais a serem aplicados da RCL aumentarão progressivamente, começando com 0,3% no primeiro ano e alcançando 1% apenas no quarto ano, o que representa uma previsão de R$ 15,2 bilhões por ano com base na RCL de 2025. Embora essa transição tenha como objetivo suavizar o impacto fiscal, estima-se que, em 2027, a despesa adicional chegue a cerca de R$ 700 milhões, considerando os valores que já são gastos atualmente em assistência social.

Com essas mudanças, espera-se que o Brasil fortaleça suas políticas de assistência social, trazendo um alívio significativo para uma população que demanda cada vez mais suporte em tempos desafiadores.

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