CAMARA DOS DEPUTADOS –

Alerta sobre Óculos Inteligentes: Câmara Discute Regulamentação para Proteger Privacidade e Combater Espionagem em Espaços Públicos

O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) emitiu um alerta recente sobre os riscos associados ao uso de óculos inteligentes, uma tecnologia que, entre suas funções, permite a gravação de imagens e sons. Esta funcionalidade levanta preocupações significativas em relação à privacidade, uma vez que usuários podem capturar imagens de pessoas sem o seu conhecimento ou consentimento. O debate sobre a regulamentação desses dispositivos já ganhou força na Europa, sendo que países como a Alemanha discutem a possibilidade de proibição dos óculos desenvolvidos pela empresa Meta. No Brasil, a discussão não é diferente e também está sendo abordada na Câmara dos Deputados.

O Projeto de Lei 19/26, que está em tramitação, busca estabelecer normas rigorosas para a comercialização e o uso desses óculos inteligentes no país. Recentemente, esse projeto recebeu aprovação da Comissão de Viação e Transportes e agora aguarda a avaliação das comissões de Ciência e Tecnologia e de Constituição e Justiça, antes de seguir para votação no Plenário. A intenção deste projeto é democratizar e regulamentar uma tecnologia que, se mal utilizada, pode infringir direitos fundamentais de privacidade.

Em entrevista à Rádio Câmara, o autor da proposta, deputado Carlos Zarattini (PT-SP), enfatizou que o objetivo não é proibir o uso da tecnologia, mas sim assegurar que não ocorra a violação da privacidade das pessoas. Zarattini ressaltou que a proposta visa prevenir a ampliação da espionagem e a invasão de privacidade geradas pela utilização descontrolada desses dispositivos. “Nosso projeto visa regulamentar o que pode e o que não pode estar dentro do software desses óculos inteligentes”, destacou.

Uma das principais exigências do projeto é que os óculos forneçam sinais visuais ou sonoros permanentes sempre que estiverem em modo de gravação, garantindo que as pessoas ao redor estejam cientes de que estão sendo filmadas. Além disso, o projeto proíbe a implementação de reconhecimento facial e identificação biométrica sem consentimento explícito e restringe o uso dos dispositivos em locais onde há expectativa de privacidade, como banheiros, vestiários e hospitais. Zarattini também mencionou que a regulamentação é essencial para proteger comerciantes e empresas, evitando práticas de espionagem e concorrência desleal. Em suma, o debate em torno dos óculos inteligentes está apenas começando, e sua regulamentação poderá definir um novo patamar para a convivência entre inovação tecnológica e respeito à privacidade.

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