Câmara aprova criação da Letra de Crédito do Desenvolvimento em projeto para financiar infraestrutura e indústria, enviado ao Senado.

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (14) um projeto de lei que cria a Letra de Crédito do Desenvolvimento (LCD) e outras taxas para remunerar esses títulos, os quais serão emitidos por bancos estatais de desenvolvimento com o objetivo de financiar projetos de infraestrutura, indústria, inovação e direcionados a micro, pequenas e médias empresas. A matéria foi aprovada na forma de um substitutivo do deputado Sidney Leite (PSD-AM) e será enviada ao Senado para apreciação.

De acordo com Sidney Leite, o projeto visa suprir a falta de investimento privado em áreas como sustentabilidade, infraestrutura e descarbonização, devido ao retorno privado ser inferior ao retorno social. As Letras de Crédito do Desenvolvimento garantirão captação menos onerosa aos bancos de desenvolvimento, possibilitando a concessão de financiamentos a taxas mais atrativas para os setores beneficiados.

Além disso, o texto estabelece que a LCD funcionará de maneira semelhante a outras letras de crédito já existentes no mercado, emitidas pelo setor privado para financiar atividades específicas. Para os investidores, a principal vantagem será a isenção do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos obtidos com a LCD, exceto para residentes em paraísos fiscais.

O projeto também prevê limites para a emissão da LCD pelos bancos de desenvolvimento, estipulando o valor máximo de R$ 10 bilhões por instituição. O Conselho Monetário Nacional (CMN) terá a incumbência de definir critérios adicionais e limitações conforme o porte e o perfil de risco de cada instituição.

Além disso, o projeto cria novas taxas para remunerar a LCD, substituindo a Taxa de Longo Prazo (TLP) atualmente aplicada pelo BNDES. Com as mudanças propostas, os recursos provenientes do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e do Fundo da Marinha Mercante (FMM) poderão ser emprestados com outras duas taxas prefixadas para sua remuneração ao banco. Uma delas será composta pela média das taxas de títulos federais de prazo mais longo, enquanto a segunda taxa será destinada exclusivamente a micro, pequenas e médias empresas, com prazo mais curto.

No entanto, o projeto também prevê restrições, como a impossibilidade de contemplar projetos financiados pelo BNDES de empresas com inserção internacional, a menos que as obrigações de pagamento sejam em moeda nacional. Outro ponto de destaque é a permissão para estados criarem fundos soberanos com excedente fiscal.

Durante a votação, diversos deputados se pronunciaram sobre a importância do projeto para a economia brasileira, enfatizando a necessidade de fomento ao desenvolvimento e geração de empregos. O texto segue para análise do Senado e promete gerar debates intensos sobre as medidas propostas e o impacto econômico esperado.

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