Desde o último sábado, a capital carioca experimenta um aumento contínuo nas temperaturas, que não apresentam sinal de alívio nem durante a noite, onde é comum que a brisa se faça sentir. Na segunda-feira, a Vila Militar registrou a temperatura máxima de 35,9°C, um pouco abaixo dos alarmantes 40,8°C do dia anterior. A previsão aponta que esse calor deve se intensificar ainda mais, com expectativa de temperaturas atingindo até 37°C nos próximos dias. O meteorologista César Soares, da Climatempo, destaca que o verão deste ano promete ser acima da média, carregado de riscos potenciais de temporais.
Em meio a essa situação climática extrema, diversas áreas da Zona Norte foram atingidas por apagões, especialmente na noite do dia mais quente do ano até então, quando oito bairros, incluindo Méier e Cachambi, ficaram sem energia por horas. A estudante Maria Clara Silva, residente do Méier, relatou as dificuldades enfrentadas: “Passamos a noite toda nos abanando com leques. Nem os cachorros conseguiam dormir”. Para algumas famílias, o calor insuportável levou a improvisos, como molhar-se com mangueiras para se refrescar, tornando aquela noite de calor intensa uma experiência coletiva.
A Light, concessionária que atende a região, alegou que os apagões foram causados por obras de modernização na rede elétrica e que o restabelecimento completo ocorreu apenas na manhã seguinte. Como agravante, a demanda de energia tende a aumentar em ondas de calor, resultado da utilização intensa de aparelhos de ar-condicionado e o crescimento do consumo em áreas com ligações clandestinas.
Enquanto isso, nas ruas da cidade, a população não tem se esquivado do calor. Às 11h, na Rua Vinte e Quatro de Maio, no Méier, pessoas formavam filas longas em busca de refeições em meio a temperaturas que já marcavam 33 graus. A aposentada Conceição Dias, de 77 anos, chegou cedo e contou que depende da sorte para encontrar um pouco de conforto no transporte. Outros trabalhadores, como técnicos de esgoto, enfrentavam longos períodos sob o sol, se esforçando para se proteger com bonés e óculos, mas reconhecendo que as condições estavam cada vez mais difíceis.
Com relatos de mototaxistas que usam copos descartáveis para se hidratar e se refrescar enquanto trabalham, o descontentamento e os desafios causados pelo calor intenso se tornam cada vez mais visíveis nas ruas cariocas. A cidade vive uma realidade onde as altas temperaturas e a falta de infraestrutura adequada trazem à tona a urgência de ações mais efetivas de gestão urbana e serviços públicos para atender a crescente população e suas necessidades durante períodos de calor extremo.







