A situação é ainda mais dramática no Brasil, onde o país se destaca entre os 21 que registraram um aumento superior a 20% nas novas infecções no mesmo período. A nível global, em 2025, foram contabilizados 1,2 milhão de novos casos, uma diminuição considerável em relação aos 2,1 milhões reportados quinze anos antes. Para atender às metas estabelecidas pela UNAIDS, seria necessário ter apenas 200 mil novas infecções em 2025, ou seja, um milhão a menos do que foi registrado.
Atualmente, cerca de 41 milhões de pessoas vivem com HIV em todo o mundo. Graças aos avanços nos tratamentos antirretrovirais, muitas dessas pessoas conseguem manter o vírus sob controle, evitando que avancem para a AIDS, o estágio mais severo da infecção. No Brasil, o boletim epidemiológico mais recente do Ministério da Saúde indica que 39,2 mil novos casos de HIV foram identificados em 2024, apresentando um aumento de 21,9% em comparação a uma década atrás. Até setembro de 2025, já eram contabilizadas 29,4 mil novas infecções, com estimativas apontando que cerca de 1,7 milhão de brasileiros convivem com o vírus atualmente.
Além do Brasil, vários países, como Afeganistão, Argélia, e Venezuela, também notaram um aumento nas novas infecções. Contudo, na outra ponta, nações como Benim e Quênia conseguiram uma redução acima de 78% nos novos casos, posicionando-se mais perto das metas de controle da UNAIDS para 2030.
Outro dado alarmante refere-se às mortes relacionadas à AIDS, que, embora tenham apresentado uma diminuição global, ainda não suficiente. O relatório revela que 570 mil óbitos foram registrados no último ano, uma queda de 57% em relação aos 1,3 milhão de 2010. Embora esse número represente a menor taxa em três décadas, ainda é 400 mil mortes a mais do que o desejado.
Além dessas estatísticas, progressos também foram alcançados nas coberturas de prevenção da transmissão vertical, que saltou de 51% para 87% entre gestantes, e no tratamento antirretroviral, que passou de 24% para 78% nos últimos 15 anos.
Entretanto, a luta contra o HIV enfrenta obstáculos sérios, como a redução do financiamento externo, crises econômicas nos países mais afetados, aumento de crises humanitárias e retrocessos em direitos humanos e igualdade de gênero. Esses fatores têm impactado negativamente os serviços destinados ao combate do HIV, revelando a necessidade urgente de um esforço renovado e global para controlar a epidemia e proteger as populações vulneráveis em todo o mundo.
