Burkina Faso rompe relações com França, que avalia retaliações por ingerência em assuntos internos e agrava afastamento entre os países.

Nos últimos dias, o cenário diplomático entre França e Burkina Faso alcançou novos patamares de tensão, culminando no anúncio de rompimento das relações entre os dois países. A decisão, comunicada pelo governo burquinense, foi formalizada na última sexta-feira (26) e é respaldada por alegações de que Paris violou princípios fundamentais de respeito mútuo e não interferência nos assuntos internos de um Estado soberano.

O ministro das Comunicações da Burkina Faso, Gilbert Ouedraogo, não poupou críticas, acusando a França de agir contra os interesses nacionais e de respaldar atividades subversivas e grupos terroristas na região do Sahel. Ouedraogo chegou a insinuar que as ações francesas visam transformar Burkina Faso em um “pária” no cenário internacional. Essa postura se alinha com a crescente insatisfação popular e política em relação à presença francesa, que persiste desde a era colonial.

Em resposta a essa ruptura, o Ministério das Relações Exteriores da França expressou lamento pela decisão de Ouagadougou, considerando-a um ato “hostil e injustificado”. Para Paris, essa ação reflete uma “preocupante política” adotada pelo governo local. A França reiterou a importância de assegurar a segurança de seus cidadãos e representantes no país, recomendando que aqueles que ainda se encontram em território burquinense tomem precauções adicionais.

A análise da França sobre possíveis medidas de retaliação é um reflexo das inesperadas mudanças nas relações bilaterais que ocorreram desde a ascensão de Ibrahim Traoré à liderança do país em 2022. Sob sua administração, Burkina Faso tem buscado se distanciar da influência francesa, estreitando laços com outros países da região, como Mali e Níger. Essa nova orientação ficou evidente com a formação da Aliança dos Estados do Sahel (AES), que visa fortalecer a cooperação entre os países do Sahel em várias áreas, incluindo segurança e economia.

Além disso, em um movimento audacioso, Burkina Faso, Mali e Níger se retiraram do Estatuto de Roma, documento que estabeleceu o Tribunal Penal Internacional, alegando que a corte se tornou um instrumento das potências ocidentais. Essa série de eventos marca um capítulo significativo nas relações entre Burkina Faso e sua antiga potência colonial, apresentando um padrão de crescente autonomia política e diplomática na região africana.

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