A formação de buracos negros supermassivos tem sido um enigma para os cientistas. O modelo tradicional sugere que esse crescimento levaria mais de um bilhão de anos, criando um hiato entre o que é observado atualmente pelo JWST e o que teoricamente seria possível. Desde que começou a operar em 2022, o telescópio revelou buracos negros que desafiam temporariamente as premissas estabelecidas na cosmologia.
Os pesquisadores destacam o papel crítico da matéria escura, um componente que representa cerca de 85% da matéria do Universo. A nova hipótese sustenta que a energia decorrente do decaimento de partículas de matéria escura teria transformado as primeiras galáxias em ambientes propícios para a formação de buracos negros em um período muito mais curto do que o anteriormente aceito. Esta energia adicional poderia ter acelerado o colapso de nuvens de gás primordiais, permitindo que buracos negros se formassem diretamente, sem serem precedidos por estrelas massivas.
O colapso direto, como é conhecido o fenômeno, significa que grandes nuvens de gás e poeira podem se comprimir sem passar pela etapa de formação de uma estrela. Entretanto, modelos anteriores indicavam a necessidade de fontes de energia externas, como a radiação de estrelas próximas, para justificar a abundância observada de buracos negros. A nova teoria propõe que mesmo uma quantidade mínima de energia gerada por partículas instáveis de matéria escura poderia provocar um “supercarregamento” dessas nuvens, iniciando o colapso.
Os físicos envolvidos na pesquisa, Yash Aggarwal e Flip Tanedo, argumentam que as primeiras galáxias eram altamente sensíveis à energia injetada, considerando-se quase como detectores naturais de matéria escura. Assim, os buracos negros supermassivos que observamos hoje podem ser uma evidência indireta desse processo.
Além disso, a pesquisa sugere que as partículas de matéria escura responsáveis por esse efeito teriam uma faixa de massa estimada entre 24 e 27 elétron-volts. Essa estipulação baseia-se em um diálogo que combina física de partículas, cosmologia e astrofísica, oferecendo uma estrutura teórica mais coesa para o entendimento deste fenômeno.
Diante das evidências em contínua acumulação reveladas pelo JWST, a hipótese do decaimento da matéria escura se apresenta como uma explicação promissora que pode integrar teoria e observação, revelando novas perspectivas sobre a formação dos buracos negros no Universo.
